terça-feira, 31 de dezembro de 2013

quarta-feira, 25 de dezembro de 2013

Ainda bem que existem os loucos...

Se não,
eu estaria achando
que estou ficando louco

Matéria fantástica: http://dancingwithde.com/2013/11/18/enfermeira-revela-os-5-maiores-arrependimentos-das-pessoas-em-seus-leitos-de-morte/

Feliz Natal!!


Iludidos com o prazer superficial que os bens materiais lhes trazem,
não enxergam a vida passar,
a vida verdadeira,
a sentida,
a que eu sinto na pele o arrepio
quando ela vem me fazer companhia
Faça calor, ou faça frio
Em uma noite sozinha...

Eles não sabem o que é isso

Meus versos soam loucuras para eles

Escondidos em seus sorrisos disfarçados,
enquanto acham que estou “viajando” ,
que meus versos são uma coisa passageira...

Sou sim,
passageiro dessa viagem

 Ah, se eles soubessem,
que dentro do sangue que corre em minhas veias
por entre o líquido vermelho
passeiam letras,
inevitavelmente...

É uma condição...

É minha condução...

Que,
de vez em quando,
passo para o papel
através de uma caneta

Ou um lápis...
Ou seja lá o que for

Cortaria meus próprios braços,
para escrever nas paredes,
com meu sangue,
caso não existisse mais nenhuma opção

Ah, se eles soubessem,
como é bom ser louco
nesse mundo de aparências

Eles também iam querer enlouquecer
Eles também iam querer brincar de viver de verdade

E esquecer um pouco mais
Desse negócio chamado dinheiro...

Não que ele não seja necessário
Falo é da falsidade a que são capazes de se submeterem,
sem perceberem muito bem o mal que isso faz
Muitos não são nem culpados, eu sei
E outros, fazem porque querem fazer...

É assim

Esse objeto que,
com razão,
fui educado a lavar as mãos
depois de pegá-lo...

Mas a culpa não é dele,
como dizem ou acham por aí
Ele, apenas, tem uma função no sistema
Mas é tão sedutor, mas tão sedutor...
Que desviam seu caminho
O seu olhar
A sua direção

E quando o ser humano não assume a culpa
Joga a culpa até em uma coisa que não tem vida
- A culpa é do dinheiro!

E você vê de tudo,
em busca dessas notas que voam de bolso em bolso...

Aí,
o mundo vira o caos que está...

E haja Natal, para o resto da vida
Para, pelo menos, uma vez no ano...

Eles respirarem

E voltarem, ao menos, por uns dias
à verdadeira vida real...

Ainda que distante,
são esses os seus instantes

Para poderem dormir em paz os restos dos dias do ano

E eu,
preciso disso todos os dias...

 

 
Sofro de urgência!!

sexta-feira, 20 de dezembro de 2013


Quando viajo de avião,
fico grudado na janela,
feito criança,
em descobertas,
a paisagem do viajar...

O mistério do céu,
as nuvens...

Uma fresta considerável de amanhecer,
já avançado,
já maduro

Mais para cima,
ainda escuro...

a noite

Dava até para ver estrelas

E eu,
a viajar...

Em descobertas
 
.
.
.

Não é por nada

É que quando viajo de avião
No ar,
voando,



eu me sinto em casa

terça-feira, 17 de dezembro de 2013

Passa despercebido
Passas correndo
E não vês a vida
Olhando para você

Não se procure no olhar dos outros
É só a vida que pode te ver

No final das contas...
No fundo, no fundo...


É só ela e você
Claro que há amor,
é inerente ao humano

Mas cada um
ama de sua forma

Algumas, até,
difícil de entender...
.
.
.
É o que temos que entender

São Paulo do tráfego...

Amanhã, novo velho destino, nova viagem, recomeçar tudo outra vez...
Morar novamente em uma pensão, lavar roupa na mão, procurar emprego, ficar por lá por tempo indeterminado

Eis a próxima etapa

Assim é a vida, e eu nunca corri fora...
E nem nunca reclamei...
Se está sendo assim,
é porque assim é que é...

Assim foi eu que fiz

Se fosse para reclamar,
eu só poderia reclamar com uma pessoa:
eu mesmo...

Mas não:
todos os dias eu me agradeço por essa vida

Não importa o que eu precise fazer...

O que importa é que estou no meu caminho

Retrocesso?
Depende de como cada um encara
Para mim,
é tudo um processo...
de aprendizado...

Experiências de vida?
É comigo mesmo...

Nunca julgo o lugar, o conforto, se antes era melhor, se não era... Nada!!
O que me importa, é que estou andando...
O que me importa, é que, no momento, tem que ser lá

Só eu sei:
estou no meu lugar...

E meu lugar,
sempre foi
o lugar nenhum...

O resto,
é só o cenário
para enfeitar
essa minha história...

O que engrandece, cada vez mais, o que me interessa, a minha verdadeira estrada, o meu verdadeiro conforto...

é o meu espírito

E ele está em uma ultra-mega-hiper paz...

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São Paulo do tráfego
E um sergipano andando a pé

Desço a Consolação e na esquina da Maria Antônia paro e tomo um café
Depois subo pela Augusta, entro na Peixoto Gomide até chegar na rua Itararé
Uma menina me espera lá
No quinto andar, vou flutuar
Enquanto carros, stress e buzinas disputam espaço
Só ouço sua voz, só vejo teu riso, só sinto teus abraços

De volta à Haddock Lobo, minha morada, na minha janela
Acendo um cigarro e continuo pensando nela

Logo depois, logo ali, na Av. Paulista
Próximo da esquina onda Alice Ruiz se perdeu de vista
Passo por um senhor que toca Chico Buarque em sua sanfona surrada, com seu chapéu no chão
Te deixo uns trocados e pego o metrô Consolação

Desço na Luz e não penso mais nela
Um minuto de silêncio, estação Pinacoteca
Onde meus heróis foram presos e torturados até a morte
Vivo no séc. XXI, sem saber se tenho azar ou sorte
Não existe mais Henfil, Marighella, Vladimir Herzog
Respiro fundo, sigo em frente, preciso ser forte
E vou prestando atenção em suas crianças, São Paulo
De vez em quando ganho um sorriso e isso é tão raro

São tantas ruas, tantos lugares, tantos bares, tantas esquinas
Impossível te descrever em poucas linhas (e já são tantas)
Av. Angélica, Av. do Estado, Av. Tiradentes, Nove de Julho, Vila Carrão, Tatuapé...
Passo também pelo seu coração
Bêbados, artistas, loucos e trabalhadores se misturam na praça da Sé

Paro na esquina da Ipiranga com a São João e peço uma cerveja
Enquanto, ao meu lado, falam mal de você com tanta firmeza
Esse contraste, esse paradoxo, é que faz tua beleza
São Paulo de amor e ódio, quem sou eu para te julgar?
Mas um sergipano nunca vai te esquecer...

Tenha certeza!

segunda-feira, 16 de dezembro de 2013

O bom de viajar
É que sempre tem algo,
que vale a pena

E seria uma pena
Se meu livro
não estivesse em suas mãos

Posso iniciar outra viagem
Sem destino...

Bagagens

Que não sei onde vai dar

Mas em nada,
com certeza não dá não

Sempre tem,
no mínimo,
uma poesia guardada...
.
.
.
Nada é em vão

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

O que seria dessas asas que crescem,
se eu não voasse?

Seria, apenas, um peso a mais...

E no ar, voando,
leveza e paz...


No ar...


o peso se desfaz

quinta-feira, 12 de dezembro de 2013

Aceitar a condição... É fato

Mas, a condução,
depende de você...

Cuidado para não empacar

Recife - PE

                Da rodoviária, pegamos um ônibus, e descemos na Av. Conde de Boa Vista, cidade de Recife. O hotel ficava no final da avenida (ou início), em frente ao rio Beberibe, esquina com a rua Aurora. Quando esse amigo convidou-me para essa viagem, ele não cansava de repetir: vou te levar na praça onde está a estátua de sua menina, sua amiga Clarice... E ria...


                Essa região que nos hospedamos, foi onde Clarice deu seus passos em sua infância e início de sua adolescência, antes de ir morar no Rio de Janeiro, já com seus quinze anos. Ruas onde ela morou, estudou e, sobretudo, viajou... Assim como eu, mais de oitenta anos depois de sua passagem por lá.

                Perdão, querida, por chegar assim tão atrasado, mesmo não marcando horário nenhum contigo... A eternidade precisa de relógio? Mas conforta-me teres deixado palavras tão minhas, tão almas, tão acolhedoras, para quem tem uma alma... tão assim. Sim, assim mesmo, essa é a definição.

                 Passeando pela Rua Nova, pela Av. Conde de Boa Vista, pela rua Aurora, pela praça Maciel Pinheiros... Passando pela frente do ‘Ginásio Pernambucano’, tive saudade de alguém que não conheci... Chorei por alguém que não abracei... Senti alguém próximo de mim, mesmo ela não estando lá há tanto tempo... Coisas da alma... Como poderia explicar? Não sei... A única coisa que sei, é que não tem explicação... O que me resta é, apenas, sentir...

















                Claro, andei por outras ruas também... No sábado à tarde, saí para rever um amigo, uma amizade de 31 anos. Ele viu-me pela primeira vez, quando eu ainda estava nos meus primeiros dias de vida. Fazia uns dez anos que não sentávamos para tomar uma cerveja. Nesse mesmo dia, ao voltar para o hotel, eu e o senhor que me levou para essa viagem, nos desencontramos. Já era noite e saí andando pelas ruas do Recife Antiga, sem conhecer quase nada, até chegar no Marco Zero. Comprei uma cerveja, já estava pra lá de embriagado, sentei com os pés quase tocando a água, acendi um cigarro, e fiquei horas por lá, viajando e vendo o mar... Que viagem!! Clarice e eu a dialogar, em silêncio... E o barulho quase silencioso do balanço das águas...


"Renda-se como eu me rendi
Mergulhe no que você não conhece,
como eu mergulhei

Não se preocupe em entender...

Viver ultrapassa qualquer entendimento"

terça-feira, 10 de dezembro de 2013

Não importa o que você me dá
Ou o que você me diz

Pode ser algo que não preciso
Ou algo que já sei

Algo que eu não goste
Ou que não preciso ouvir

Não importa

O que me importa
é a sua intenção

Se for boa, seja o que for,
receberei com carinho,
ouvirei com atenção

Se não,
um riso irônico,
e a paciência de um irmão


E transformo a falsidade...
.
.
.
em diversão

10.12.13 - Clarice Lispector faria 93 anos

"Mas como adulto terei a coragem infantil de me perder?"

"Eu já havia conhecido anteriormente o sentimento de lugar. Quando era criança, inesperadamente tinha a consciência de estar deitada numa cama que se achava na cidade que se achava na Terra que se achava no Mundo. Assim como em criança, tive então a noção precisa de que estava inteiramente sozinha numa casa, e que a casa era alta e solta no ar, e que esta casa tinha barata invisíveis."

"A primeira ligação já se tinha involuntariamente partido, e eu me despregava da lei, mesmo intuindo que iria entrar no inferno da matéria viva - que espécie de inferno me aguardava? mas eu tinha que ir. Eu tinha que cair na danação de minha alma, a curiosidade me consumia."

"[...] Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam os que saem para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser gritante."

Do livro "A Paixão Segundo G.H"...



Linda demais!!




Fotos (com exceção da primeira): Cecília Garcia

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Não é que você seja perfeita

É que você está no caminho da perfeição

Isto é,

se ela existisse...
Só te peço que respeite minhas limitações

Quanto ao resto,
pode ter certeza que estou dando o máximo possível de mim,
tentando fazer o melhor possível...

E, minha direção,
sempre foi no sentido...

Amor

quinta-feira, 5 de dezembro de 2013

Rio de Janeiro - Final

                Depois de cinco dias tentando as opções que eu tinha para ficar no Rio, nada deu certo. Momento duro de indecisão, já que eu tinha ido para ficar e iria voltar em tão pouco tempo, caso eu decidisse realmente voltar. Mas ficar seria um risco grande, envolveria ter que usar grana de meus pais, que, diga-se de passagem, não tem sobrando. Se fosse para procurar um emprego e um lugar mais barato para morar, teria que ser feito de outra forma, agora já não dava mais tempo. Porém, eu poderia tentar. Arriscar? Arriscado? Essa dúvida pairou incessantemente sobre minha cabeça. Dias angustiantes. Sempre vinha à minha mente o fato de ser um lugar interessante para o que estou buscando. Mas nem tudo pode ser feito de qualquer jeito, não gosto de envolver outras pessoas financeiramente. Porém, correr riscos, não é tão difícil para mim... Um milhão de interrogações. Até então, uma conclusão passava ao longe. E, minha linha de raciocínio, tinha dado um nó.

                Até que, vendo que a certeza do que eu deveria fazer, a decisão certa, fugia ao meu alcance, aproveitei o visual do lugar onde eu estava, lá no alto, onde dava para ver os prédios do bairro de Botafogo lá embaixo, além das costas do Cristo lá em cima, para, simplesmente, relaxar. Dei voltas por ruas desconhecidas e estava lendo o livro “Os miseráveis”, de Victor Hugo, que estava tocando minha essência de forma genial... Deixei, apenas, rolar. Dei-me um prazo, de mais três dias, para resolver essa situação. Se nada acontecesse, provavelmente eu voltaria ou, se eu mudasse de opinião, teria esse tempo para decidir. Enquanto isso, eu descia para a praia, e ia vender meus livros, onde a maioria das pessoas passava indiferente. Outro dia, fiz diferente, e saí andando pela areia, oferecendo aos cidadãos que se encontravam sentados em suas cadeiras de praia, ou na areia mesmo, conversando, bebendo, se divertindo e/ou se bronzeando. Claro, isso ajudou para me manter mais esses dias. E relaxando, aos poucos, os problemas foram ficando de lado.

                Até que uma paz indescritível foi se fazendo dentro de mim. Quando eu pensava que tinha que tomar uma decisão difícil, não era mais a angústia que tomava conta de mim, e sim, um sorriso leve, delicioso, acompanhado de cócegas em minha barriga, como se minha alma dissesse para mim: “Isso é vida, meu caro. Não há vida sem dúvidas... Não tenho dúvida”. A cada hora do dia que passava, eu sentia essa paz penetrando meu corpo. “Não se cobre tanto... Se não for agora, será de outra vez... Cadê aquela sua leveza sobre as coisas da vida, que você meso diz, quando se faz algo com amor? Nenhuma decisão é errada. Apenas pode-se adiar alguma coisa, e, mesmo se não for a melhor decisão, ainda assim, sei que aprendeu coisas maravilhosas... Toda essa experiência, a viagem desde à Bahia, até os acontecimentos no Rio, o trabalho no quiosque, o reencontro com um bom amigo que não via há um bom tempo, as novas amizades, pessoas de outros países, a experiência de vender poesia na praia, em um lugar que, há pouco, era totalmente desconhecido para você... Tudo isso, está sendo impressa em sua bagagem de vida, então, relaxe e siga sua intuição... Qualquer decisão é válida”... Foi isso que minha alma sussurrou em meus ouvidos, calmamente, com um ar de sapiência, como se soubesse exatamente do que estava falando... Ela, já leve, apenas gozava... E eu gozava esses momentos totalmente novos em minha vida.

                O número 22, o número que me acompanha desde a viagem com Clarice, não parava de aparecer... Apareceu mais do que qualquer outro momento de minha vida. Mais uma vez, não tomo isso como uma ciência, apenas, uma brincadeira, que está cada vez mais séria... Mas sempre uma brincadeira... Será que era um sinal para eu ficar ou para eu ir embora? Isso já não me importava mais. Se ele estava querendo me dizer alguma coisa, eu interpretava que era, apenas, que eu estava no caminho certo. E do sábado para o domingo (o dia em que eu teria que comprar a passagem), fui dormir na santíssima paz.
               

                 Há alguns meses, antes dessa viagem, eu sentia que minha alma estava pesada, apesar das coisas boas estarem acontecendo... Mas ainda não estava 100%, e eu estava angustiado. Quando decidi ir para o Rio, meio na loucura, foi justamente em busca dessa paz e, até não ter encontrado essa paz, era o que mais pesava sobre a minha decisão de voltar. Mas depois que minha alma renasceu, em terras cariocas, foi que eu entendi: minha alma precisava parir, mais uma vez, e era no Rio a maternidade desse novo nascimento. Voltando ou ficando, eu já tinha resolvido o que eu estava querendo resolver. Junto com tudo isso, com todas as experiências que passei, também senti-me mais preparado e cheio de ideias para escrever um romance, algo que eu sempre quis e que sentia ainda não estar pronto. Claro, ainda vou desenvolver bastantes coisas, aprender muita coisa, mas, dentro de mim, eu já senti que ele nasceu... Essa renovação, trouxe-o junto.
               
                Antes de viajar, eu também estava em dúvida se contratava ou não um agente literário, já que eu estava sem grana, para divulgar o livro. Mas com essa leveza adquirida, sem pestanejar, usei meu cheque especial para assim fazer. Sem medo, pensei: depois eu recupero a grana. Era a minha intuição comandando a parada e, quando a decisão vem com cócegas na barriga e com essa leveza profunda, eu me rendo: é preciso correr o risco. E, com certeza, eu mergulhei nessa idéia, justamente, por ter ido para o Rio... Mais uma coisa boa que essa viagem me trouxe. Não era, necessariamente, para ficar... Voltei, e iniciou-se uma nova etapa, a da divulgação mais abrangente do livro. E, alguns frutos já vêm aparecendo, como em um jornal de Porto Alegre, em um jornal de Teresina, um blog de Joinville e em um site da internet especializada em livros... E ainda virá mais. E, se não vier, já foram dados mais alguns passos importantes, não tenho pressa... Não quero resolver tudo de uma vez, não quero chegar lá logo... Nem sei, na verdade, onde quero chegar... A única coisa que eu preciso, é sentir que a minha vida, abraçada com minha essência, esteja andando... E disso, eu não posso reclamar.

Como diria um dos meus mestres, Raulzito:

“É chato chegar a um objetivo num instante...
Eu quero viver essa metamorfose ambulante”


                Dez dias depois, ganhei uma viagem maravilhosa de presente, para Maceió e Recife. Visitei algumas livrarias e pude divulgar mais meu livro, em outros estados. Essa viagem surgiu assim, meio que do nada... Ou será o universo conspirando? Como sou um simples mortal e não sei responder com certeza, eu vou seguindo minha intuição para ver se as repostas aparecem. E posso garantir: os resultados têm me alegrado bastante... Não falo de vendas especificamente, que também estão aparecendo, mas, sobretudo, falo da vida.


                Para concluir, repito um texto já publicado, quando recebi o convite para viajar para Maceió, viagem que já foi concluída... Só para manter a ordem dos acontecimentos... Nele, algumas linhas sobre minha volta do Rio:

                Fui para o Rio de Janeiro, há pouco tempo atrás, com a intenção de ficar, mas o vento, assim como soprou para eu ir, dez dias depois, soprou para eu voltar... E voltei... Sem crise, muito pelo contrário, com muita paz. As coisas que “deveriam” acontecer para eu permanecer lá, não aconteceram. Não fiquei triste, não reclamei, nem analisei... Apenas, obedeci. Lembrei de Leminski, que, inclusive, tem esse “poeminha” dele, no meu livro: “Não discuto com o destino / O que pintar / Eu assino”. Conheci pessoas interessantíssimas, plantei sementes vendendo alguns livros e voltou aquela tão almejada paz, que eu estava sentindo tanta falta... A ressurreição. E ainda nem deu nem tempo de eu escrever sobre essa última parte de minha estadia no Rio, até a minha volta, e hoje recebo um telefonema, sendo convidado para ir para Maceió, na quinta, e para Recife, no Sábado... Uma viagem de presente. Detalhe: esse amigo eu conheci durante a viagem com Clarice, quando permaneci um mês em Campos dos Goytacazes, no Rio, em uma república que fui parar meio “por acaso”, devido ao motor da Kombi que quebrou e precisou ser desmontado e fui obrigado a ficar lá um tempinho a mais.
Além disso, poderei visitar outro amigo, que hoje está em Olinda (vizinho de Recife), que dei carona, do norte do Espírito Santo até Itabuna, na Bahia, também durante a viagem com Clarice. Esse cara, que se fantasia de palhaço quando vai trabalhar na rua (e que estava com o nariz de palhaço quando me pediu carona), anda com livros meus, divulgando meu trabalho por aí. Os anjos em minha vida. Aliás, ele conheceu a atual companheira dele por causa de um livro meu, segundo ele mesmo... Artista de rua, artista da vida, faço questão de visitar o casal.

                Quando fazemos o que amamos, de peito aberto, não sei o que é, não sei o que acontece, mas parece que as coisas vão se encaixando. Uns chamam de Deus, outros de coincidência, outros dizem que nada mais é do que seu esforço, outros dizem que é tudo junto... Para mim, não importa o nome da coisa... O que importa é a coisa... Não sou chegado em definições e, sim, em acontecimentos... Quem sou eu para dizer o que é isso tudo? Pode até não ser nada... Só sei que estou em paz...

quarta-feira, 4 de dezembro de 2013


Era só aceitar, aprender e ultrapassar, as armadilhas do amor

Em vez de ficar se lamentando, esperando acontecer, o que você sempre sonhou
Você diz que não entendo algumas coisas em você
E tem coisas que às vezes me foge mesmo,
nunca me apresentei como "o perfeito"

Mas o que você não entende
é que suas atitudes
atrapalharam-me de entender muitas coisas

Portanto,
a responsabilidade é dos dois

Mas quando o peso da responsabilidade se faz presente,
nem todos a suportam

Aí vem a insuportável hora do adeus

A sensação de que estamos acabando
algo que não teria fim

Mas, se tem que ser assim,
entendo perfeitamente

Em tudo que mergulho,
eu nunca tive medo do adeus...

Portanto...

Adeus!!




Esqueça o que te disseram sobre o amor (Herbert Vianna)

Desculpas é que eu não vou pedir
Pelo que quero e o que não quero fazer
Outro dia eu apareço
Enquanto isso vamos nos entender

Esqueça o que te disseram
Sobre casa, filhos e televisão
É preciso sangue frio
pra ver que o sangue é quente
E que vai ser diferente

Vai ser diferente
Vai ser diferente

Pode ser o que você nunca viu
Pode ser o que você tem na mão
Pode ser exatamente o que eu digo
E também pode não

Então esqueça seus sonhos
Esqueça as regras e a exceção
É mais real, cru e fascinante
É mortal, passível de ressurreição

Vai ser diferente...

Vai ser diferente

terça-feira, 3 de dezembro de 2013

O mundo ao nosso redor
funciona de acordo com as nossas atitudes

Os frutos que colhemos
depende do que plantamos
e de como cuidamos da plantação

E cada pessoa
é um solo diferente

Cabe a você plantar a semente certa
para o solo certo...


Nunca culpe o solo
Diga-me o que devo fazer

E eu te direi quem és

segunda-feira, 2 de dezembro de 2013

Era então minha essência
Sendo roubada
Derrubada e adubada
Com mentiras vis
Descaradas

Sim, eu vi...

Percebi

Senti na pele o arrepio da dor
A angústia rodopiando, dançando,
pelas minhas entranhas

Noites estranhas

Esse ser que não sabe ser outro ser,
além de mim

A vida perdendo cor
O mundo inteiro esperando o desfecho
Perfeito (a ilusão)
Feito como eu nunca quis

Assalto à mão desarmada
Com sorrisos no rosto
Roubaram o meu sorriso
Até que um dia eu me perdi

A criança adormeceu dentro de mim...

Preso atrás das grades da solidão
Era grande a confusão
A essência que fugia, longe...
Não via mais ninguém diante de mim

Nem a mim

Passei mal
Vomitei versos
Fui levado às pressas para o hospital:
Meu quarto escuro e fechado
Onde na porta estava escrito:
Proibido entrar aqui

Só músicas, livros e filmes...
De quem também foi condenado
A ser roubado
Por ser alguém além do que eles são

Apenas, por ser são

Anos desafiadores
Enfrentei minhas dores
E eis que estou aqui

Apesar dos horrores
Eis que estou são
Apesar de, ainda, algumas dores
Suas forças contra mim
São em vão

A insônia, antes inimiga,
virou companheira
A solidão,
antes malvada
Casou-se comigo...

Encontrei abrigo...

E mesmo com tudo pelo avesso
Agora brinco o tempo inteiro
Finjo que o mundo inteiro
É uma brincadeira que nunca acabou

A gente cresce e vão nos matando aos poucos
Mas, tudo que queremos,
é um dia matar tudo dentro da gente
Que nos anos correntes
Aos poucos nos matou

Renascer,
esse é o verdadeiro nascer
Até morrer,
passa a ser,
mais uma coisa que,
apenas,
faz parte da vida...

Nenhuma desgraça me atingirá
Lutarei pelos que precisam, assim como lutei por mim
E, quanto ao resto, o que foge ao meu alcance,
só me resta relaxar...

Assim,
sobra tempo
para a criança brincar

Minha essência abraçada comigo

A lágrima escorre pelo rosto
A vida agora tem outro gosto

Dói demais e, por isso,
nem todo mundo chega aqui

Preferem adormecer a dor
Tomando remédios
Para poderem dormir

Até entendo por serem assim

Mas eu, faço qualquer coisa,
para que minha alma viva
Mesmo que, em carne viva

Mesmo assim,

vivo feliz


Tocar minha essência,
custe o que custar,



é essencial para mim

sábado, 30 de novembro de 2013

Bob Dylan

"Se quiserem me mandar alguma coisa, mandem-me uma chave - eu encontrarei a porta onde ela se encaixa, mesmo que procure até o resto da vida"

"Você já cheirou um nascimento? É por isso que eu sempre precisei seguir em frente quando algo novo estava acontecendo."

"Aprendi a escolher bem os meus ídolos
 A ser minha voz e a contar minha história
 E meu primeiro ídolo foi Hank Williams

 Mais tarde meus ídolos caíram
 Já que aprendi que eram apenas homens [...]
 Mas com cada deus esquecido aprendi
 Que o campo de batalha é apenas meu"

Cacaso (Antônio Carlos Ferreira de Brito)

Minha pátria é minha infância:

por isso vivo no exílio


sexta-feira, 29 de novembro de 2013

O amor sempre existe
(salvo algumas exceções),
só que em diferentes níveis

É como tipo sanguíneo,
vários tipos,
talvez beire o infinito,
só que sem definições

Cada um com suas ações e consequências
Suas dores e sua paciência

E tem o tipo 'Incondicional'
Esse sim: doador e receptor...

Universal

quarta-feira, 27 de novembro de 2013

Não é jogando fora os freios
que se chega mais longe
Não é só o acelerar
que vai te fazer chegar lá
antes que todos

A estrada tem curvas,
buracos,
surpresas,
desvios...

A esperteza,
não está em impressionar
por ser o mais rápido

A beleza está,
apenas,
em chegar no lugar almejado

E para tal,
tanto quanto acelerar,
saber frear

Não é perda de tempo
É que o ganho,
só depois virá

Apressados, impacientes e vaidosos,
isso os confundirá...

E não concordarão

Só depois que passar reto em uma curva
Ou um pneu furado
Eles entenderão...

Ou, a depender do tamanho da vaidade...

Não!!


Os espertos, os verdadeiros, os legítimos...
Um dia os passam, na boa, na sua, calado, sorrindo
Os que se acham esperto,
esses ficarão...



No meio do caminho

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

Quando você se atira,
não tem jeito...

Sempre terá alguém
para atirar pedras

Tire de letra...


E atire sabedoria
- Sim... Mas você tá pensando em fazer o que além do livro, digo, pra ganhar dinheiro? O que você pensa para o seu futuro? Isso é um sonho, tá certo, você tem que correr atrás... Mas e o dinheiro?
- Isso não é um sonho... Na verdade, essa é, justamente, a minha realidade. Você que deve estar sonhando, achando que minha realidade tem que ser igual a sua.

Ouvi várias vezes essa pergunta nesse final de semana... Normal... Eu já tinha ouvido vários outros artistas falarem que ouviram essa mesma coisa....

Previsíveis demais... 

quinta-feira, 21 de novembro de 2013

Em um jornal de Porto Alegre...


Destinos...
Distantes...
Instintos...
Instantes...

Destinos...

Estantes
Quando ele foi escolhido para presidir a Comissão de Direitos Humanos, foi o maior auê... Artistas e anônimos fizeram uma forte campanha contra... Teve até vários fotos com 'selinhos' de pessoas do mesmo sexo, como forma de protesto... Não tem mais... Como sempre, a poeira baixou, e ele continua lá... E continua fazendo suas barbaridades... Cadê o povo?? Era só mais um carnaval fora de época?


terça-feira, 19 de novembro de 2013

Vida se não for sentida...


É morte que respira
Não me estranhará se daqui a alguns anos,
daqui a alguns meses,
ou, até mesmo, daqui a dois segundos,
eles passarem a escrever dinheiro com "D" maiúsculo...


Assim como Deus

domingo, 17 de novembro de 2013

sábado, 16 de novembro de 2013

Graciliano Ramos

                Nessa última viagem, semana passada, tive o prazer de visitar a casa (hoje um museu) que Graciliano Ramos morou por três anos, quando era prefeito da cidade de Palmeira do Índios, em Alagoas, até ser preso. Não sei o porquê, ou sei muito bem, mas senti uma paz imensa enquanto estive por lá...






                Fico imaginando essas canetas a deslizarem pelo papel, sua alma sangrando em folhas brancas, sua angústia a se acalmar, sua insônia a procurar abrigo ou, ao invés disso, era justamente elas que te fazia escrever mais, sem parar... Como será que foi, naquela mesa, naquela máquina, naquela sala, naquele quintal? Fico a imaginar... Nessa casa antiga, suas viagens ao tempo, seu olhar ao seu redor, nada passa despercebido. Na madrugada, no silêncio, o escritor a denunciar as mazelas e miséria do povo brasileiro e do sertão nordestino... O homem vai, seu corpo... As palavras ficam, sua alma...

















Sobre Graciliano Ramos



Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em Quebrangulo, Alagoas, em 27 de outubro de 1892. Terminando o segundo-grau em Maceió, mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista durante alguns anos. Em 1915 volta para o Alagoas e casa-se com Maria Augusta de Barros, que falece em 1920 e o deixa com quatro filhos.

Trabalhando como prefeito de uma pequena cidade interiorana (Palmeira do Índios), foi convencido por Augusto Schmidt a publicar seu primeiro livro, "Caetés" (1933), com o qual ganhou o prêmio Brasil de Literatura. Entre 1930 e 1936 morou em Maceió e seguiu publicando diversos livros enquanto trabalhava como editor, professor e diretor da Instrução Pública do Estado. Foi preso político do governo Getúlio Vagas enquanto se preparava para lançar "Angústia", que conseguiu publicar com a ajuda de seu amigo José Lins do Rego em 1936. Em 1945 filia-se ao Partido Comunista do Brasil e realiza durante os anos seguintes uma viagem à URSS e países europeus junto de sua segunda esposa, o que lhe rende seu livro "Viagem" (1954).

Artista do segundo movimento modernista, Graciliano Ramos denunciou fortemente as mazelas do povo brasileiro, principalmente a situação de miséria do sertão nordestino. Adoece gravemente em 1952 e vem a falecer de câncer do pulmão em 20 de março de 1953 aos 60 anos.

Suas principais obras são: "Caetés" (1933), "São Bernardo" (1934), "Angústia" (1936), "Vidas Secas" (1938), "Infância" (1945), "Insônia" (1947), "Memórias do Cárcere" (1953) e "Viagem" (1954).


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Auto-retrato aos 56 anos (*)

Nasceu em 1892, em Quebrangulo, Alagoas.
Casado duas vezes, tem sete filhos.
Altura 1,75.
Sapato n.º 41.
Colarinho n.º 39.
Prefere não andar.
Não gosta de vizinhos.
Detesta rádio, telefone e campainhas.
Tem horror às pessoas que falam alto.
Usa óculos. Meio calvo.
Não tem preferência por nenhuma comida.
Não gosta de frutas nem de doces.
Indiferente à música.
Sua leitura predileta: a Bíblia.
Escreveu "Caetés” com 34 anos de idade.
Não dá preferência a nenhum dos seus livros publicados.
Gosta de beber aguardente.
É ateu. Indiferente à Academia.
Odeia a burguesia. Adora crianças.
Romancistas brasileiros que mais lhe agradam: Manoel Antônio de Almeida, Machado de Assis, Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz.
Gosta de palavrões escritos e falados.
Deseja a morte do capitalismo.
Escreveu seus livros pela manhã.
Fuma cigarros "Selma" (três maços por dia).
É inspetor de ensino, trabalha no “Correio do Manhã”.
Apesar de o acharem pessimista, discorda de tudo.
Só tem cinco ternos de roupa, estragados.
Refaz seus romances várias vezes.
Esteve preso duas vezes.
É-lhe indiferente estar preso ou solto.
Escreve à mão.
Seus maiores amigos: Capitão Lobo, Cubano, José Lins do Rego e José Olympio.
Tem poucas dívidas.
Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas.
Espera morrer com 57 anos.
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(*) Optamos por obedecer à nova grafia, vigente desde jan.2012, para o título desta seção, mas preferimos manter a grafia original no título do texto.

quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Na varanda do 8º andar
A borboleta que passa
O tempo que vai
O vento que sou

Sem casa...

Meus cabelos balançam
Minhas asas

O instante que sou

quinta-feira, 7 de novembro de 2013

Ei, você que está me espionando agora, seja nos EUA, ou qualquer lugar que seja (Não nos iludamos)
Não sou nem um perigo, pelo contrário, sou um ser pacífico, iludido que o amor ainda vá salvar esse mundo, nem que seja daqui a cinco mil anos, ou até bem mais que isso, isso, se não destruirmos nosso planeta antes
E, por ser assim, talvez eu seja, sim, um perigo para vocês
Sim, fiquem de olho em mim
Estou aqui, entregando-me
Tudo bem, não utilizo bombas (São essas vossas desculpas)...
Mas palavras podem causar estragos maiores, isso também vos preocupam, eu bem sei

Que fique claro: não sou otário
Os pensamentos que te dominam,
é o da dominação

Podem me espionar
Tenho peito e alma aberta
Basta que leiam-me por aí,
é só procurar,
é fácil me encontrar,
não tenho mania de cinismos,
nem mania de esconder o que penso

Eu gostaria que as crianças, em vez de trabalharem ou irem para os sinais, tivessem mais oportunidades de estudarem (Vocês estão espionando isso?)
Gostaria que os políticos parassem de desviar valores exorbitantes de dinheiro público, para fins pessoais (Você estão espionando isso?)
Gostaria que as ruas, que não têm um mínimo sequer de saneamento básico, fossem vistas e que esse dinheiro desviado, fosse investido lá, evitando doenças e dando um pouco mais de dignidade às pessoas que já levam uma vida difícil (Vocês estão espionando isso?)


Sim, eu sei, vivemos em tempos de democracia, mas uma democracia mascarada, desde que não toquem no calo de vocês, caso contrário, jogarão em nós as suas bombas (essas podem), ainda que sejam de gás lacrimogêneo

Podem me espionar, seus cínicos, não há problema

O que eu vejo, não procuro escondido de ninguém, nem de forma ilegal...

Aliás, nem preciso procurar, tá tudo escancarado em minha frente

Assumam o que fazes, em vez de tentarem encontrar desculpas esfarrapadas, a todo instante

Façam isso, e só assim,
eu poderia começar a acreditar em vocês...

O que está muito distante...

Sei qual é o dom de vocês:
Dom-minar




Minas enterradas, invisíveis, no ar

terça-feira, 5 de novembro de 2013

Como são as coisas...

                Fui para o Rio de Janeiro, há pouco tempo atrás, com a intenção de ficar, mas o vento, assim como soprou para eu ir, dez dias depois, soprou para eu voltar... E voltei... Sem crise, muito pelo contrário, com muita paz. As coisas que “deveriam” acontecer para eu permanecer lá, não aconteceram. Não fiquei triste, não reclamei, nem analisei... Apenas, obedeci. Lembrei de Leminski, que, inclusive, tem esse “poeminha” dele, no meu livro: “Não discuto com o destino / O que pintar / Eu assino”. Conheci pessoas interessantíssimas, plantei sementes vendendo alguns livros e voltou aquela tão almejada paz, que eu estava sentindo tanta falta... A ressurreição.  E ainda nem deu tempo de eu escrever sobre essa última parte de minha estadia no Rio, até a minha volta, e hoje recebo um telefonema, sendo convidado para ir para Maceió, na quinta, e para Recife, no Sábado... Uma viagem de presente. Detalhe: esse amigo eu conheci durante a viagem com Clarice, quando permaneci um mês em Campos dos Goytacazes, no Rio, em uma república que fui parar meio “por acaso”, devido ao motor da Kombi que quebrou e precisou ser desmontado e fui obrigado a ficar lá um tempinho a mais.
                Além disso, poderei visitar outro amigo, que hoje está em Olinda (vizinho de Recife), que dei carona, do norte do Espírito Santo até Itabuna, na Bahia, também durante a viagem com Clarice. Esse cara, que se fantasia de palhaço quando vai trabalhar na rua (e que estava com o nariz de palhaço quando me pediu carona), anda com livros meus, divulgando meu trabalho por aí. Os anjos em minha vida. Aliás, ele conheceu a atual companheira dele por causa de um livro meu, segundo ele mesmo... Artista de rua, artista da vida, faço questão de visitar o casal.
               
                Quando fazemos o que amamos, de peito aberto, não sei o que é, não sei o que acontece, mas parece que as coisas vão se encaixando. Uns chamam de Deus, outros de coincidência, outros dizem que nada mais é do que seu esforço, outros dizem que é tudo junto... Para mim, não importa o nome da coisa... O que importa é a coisa... Não sou chegado em definições e, sim, em acontecimentos... Quem sou eu para dizer o que é isso tudo? Pode até não ser nada... Só sei que estou em paz... Só sei que, mais uma vez, PÉ NA ESTRADA!!!

O detalhe dessa viagem: tudo pago (presente)

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No som, agora, uma velha canção de Raul Seixas:

POR QUEM OS SINOS DOBRAM

Nunca se vence uma guerra lutando sozinho
“Cê” sabe que a gente precisa entrar em contato
Com toda essa força contida, que vive guardada
O eco de suas palavras não repercutem em nada

É sempre mais fácil achar que a culpa é do outro
Evita o aperto de mão de um possível aliado
Convence as paredes do quarto, e dorme tranqüilo
Sabendo do fundo do peito que não era nada daquilo

Coragem, coragem, se o que você quer é aquilo que pensa e faz
Coragem, coragem, eu sei que você pode mais

domingo, 3 de novembro de 2013

Às vezes,
algumas pessoas criticam erros meus,
alguns grotescos,
é verdade,
eu confesso

Mas, mal sabem elas,
que eles apenas fazem parte,
para o caminho de um acerto maior


O que importa, não é o erro


Mas o porquê de estar errando

Nas livrarias ou pela internet


Créditos (Release): Guilherme Loureiro

sábado, 2 de novembro de 2013

"Ao te curvares com a rígida lâmina de teu bisturi sobre o cadáver desconhecido, lembra-te que este corpo nasceu do amor de duas almas, cresceu embalado pela fé e pela esperança daquela que em seu seio o agasalhou. Sorriu e sonhou os mesmos sonhos das crianças e dos jovens. Por certo amou e foi amado, esperou e acalentou um amanhã feliz e sentiu saudades dos outros que partiram. Agora jaz na fria lousa, sem que por ele se tivesse derramado uma lágrima sequer, sem que tivesse uma só prece. Seu nome, só Deus sabe. Mas o destino inexorável deu-lhe o poder e a grandeza de servir à humanidade. A humanidade que por ele passou indiferente"

(Rokitansky)

Paz

Fim de tarde
Sentado na calçada
Conversado com meu amigo Ruan Brujo
Gabiru’s House
Calma rua

Paz

Parecia o tempo em que morávamos no interior
Quando tínhamos, mais ou menos, uns treze anos
Quando o mundo ainda estava começando a mostrar suas caras

Olhando para o céu,
dia de Finados,
ele estava mesmo meio morto

Um azul claro
Misturado com um lilás,
Igualmente claro
Misturado com várias nuvens brancas

Colorido
Colorindo

E nós dois aqui, a conversar...

Paz

Duas crianças chegam perto
riem para nós
e simplesmente vão embora



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E a calçada,
que vejo agora,
seu desenho,
são iguais
aos do calçadão de Copacabana

Onde eu estava há poucos dias atrás
passando pela estátua de Drummond,
que observava,
um sujeito que carregava um violão nas mãos,
e uma mochila pesada,
cheia de poesia nas costas

Vi nele,
pensativo,
um sorriso exatamente igual

Como quem conversa com um bom e velho amigo

Como quando se tinha, mais ou menos, uns treze anos