domingo, 30 de outubro de 2011

Essa não é a vida que eu pedi a Deus,

não peço nada,

eu corro atrás...

Talvez, até, essa tenha sido

a vida que ele me pediu...

sábado, 22 de outubro de 2011

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

MANIFESTO


Quando eu nasci, entregaram-me um kit de sobrevivência
Nele tinha uma máscara e um manual de instruções
instruindo-me sempre a andar na linha, que me parecia tão reta,
a obedecer sempre, a me calar e acreditar em tudo que eles falavam

Rasguei o manual e fiz uma fogueira na praia para tocar meu violão
Das placas que me ensinavam a não me perder, arranquei todas do chão
Mais lenha para minha fogueira
E foi ali que acendi a chama de meu coração

Quanto tempo será preciso para percebermos que não é preciso a precisão?
Tudo que eu preciso é de uma alma leve e pura
O improviso puro
Nada de previsões

Quero o novo aos meus olhos
Quero seus olhos em brasa,
como se a alma quisesse rasgar teu corpo, pedindo para sair
Quero quem também rasgou o manual de instruções
e jogou fora sua máscara

Se há um céu imenso e infinito...
por que temos que andar com os pés no chão?
Meus passos jamais serão o tic tac de um relógio
Que nunca para, mas sempre está nas mesmas posições
me dizendo a hora que devo acordar
a hora que devo dormir
a hora que tenho que trabalhar
e, se brincar, até a hora que devo sorrir

Nunca mais dei corda em meu relógio
Perseguiram-me, falaram-me de uma tal subversão
Não me espanto...
Submersos em plena superfície,
os olhos só servem para não tropeçar
ou evitar um escorregão

Com meus olhos fechados, em pleno silêncio, vejo tudo tão claro
Dentro de nós está a resposta do que se busca lá fora
Descubro isso e cuspo tudo aqui e agora
Mas quem vai me ouvir, se os ouvidos só servem para ouvir a televisão,
se só servem para ouvir a mesma repetição?

Faço meu manifesto
Nem que seja só meu, mas meu
O alimento podre e vencido que empurram em sua cabeça
é tudo que o monstro invisível precisa para estar em forma
Seu sangue, meu amigo, é sugado e assim o Estado tem uma plena digestão 
Quando eu nasci, entregaram-me um kit de sobrevivência
Mas descobri que não era para minha vivência
E sim para manter vivo o estado

Estando todos calados, os poderosos não podem ser tocados
E aceitar tudo isso em troca de fome, vidas perdidas à toa, tanta coisa errada,
não está em meu manifesto
Toda essa sujeira me dá uma grande indigestão
Tenho nojo e vomito tudo aqui através de minhas palavras
E no final, eles é que me acusam:
eu que causo, para eles, uma imensa indigestão

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

                      Como posso acreditar que somos livres?
                 
       É direito de todo cidadão fazer greve, está na constituição. Mas a justiça determinou que os funcionários dos correios acabassem com a greve, sem contar que sempre tem aquelas ameaças nos bastidores que não são noticiadas nos jornais e na TV.
            Nunca me iludi com essa liberdade ilusória. É claro que avançamos em alguns pontos, com o passar do tempo, mas estamos longe de sermos livres. O que eu percebo é que os “poderosos” vão afrouxando a corda que prende os “mais fracos” à medida que ela pode se romper. Se há uma agitação perigosa, solta um pouco mais, até tudo se acalmar e deixar a maioria sorrindo, ainda que com a corda em volta (o importante é a corda estar lá). E quando precisarem, não se enganem: eles apertarão.
                O mais triste é ver que a maioria das pessoas não enxerga isso. Acham que podem falar o que quiserem e podem mesmo, desde que não atinjam eles lá de cima. Se isso acontecer, preparem-se: a corda apertará um pouco mais e, se preciso for, usarão a força. Meu conceito de liberdade é outro: é se livrar dessa corda. Mas a TV e outras coisas nos distraem e muitos não percebem a corda em volta e alguns até detonam os grevistas chamando-os de vagabundos. O Estado nos cega e tudo que conseguimos enxergar é o nosso umbigo. Seu umbigo estando em dia com você mesmo, fodam-se os outros. E isso é tudo que os “poderosos” precisam para manter esses imbecis presos a uma corda, rindo e felizes (não que não se deva rir e ser feliz), como se fossem as pessoas mais livres do mundo. Não se engane você que é contra a greve: se um dia o Estado precisar tomar à força algo que é seu de direito, ele tomará. Acontece que vocês são incapazes de olhar pelo outro e, sobretudo, sentir pelo outro. Vossos umbigos acima de tudo. O que importa se o funcionário do correio ganha mal, se ele não é seu marido ou esposa, filho ou parente? O que importa é: “EU preciso de...”. Se as coisas estão difíceis para eles, fodam-se eles. Vossos umbigos estão bem alimentados, está tudo bem, ainda que cercados pela corda.
                E apesar disso me deixar triste, torço imensamente para que um dia a corda não aperte no pescoço de vocês, egoístas, porque vocês não têm noção do quanto isso dói. E não é só da dor física que estou falando. Como pode alguém ganhar um salário onde têm que escolher: ou pagam uma escola de qualidade para o filho (se tiver só um), ou pagam o aluguel, ou compram uma roupa nova. Viajar? Talvez, se abrir mão de outras coisas necessárias. E enquanto isso o lucro do correio, por exemplo, assim como dos bancos, é de BILHÕES. Aí vejo idiotas falando: estudem e vão fazer alguma coisa melhor. Como se o Brasil fosse o país da educação e das oportunidades, mas o que eu vejo nos jornais são escolas com tetos desabando ou com problemas de falta de professores. Falando em professores, todos sabem o quanto eles são mal remunerados e vocês, seus egoístas, tenho certeza que não seriam o que são hoje sem professores. Mas se eles fizerem greve também? Fodam-se os professores.
                E a vida continua, cada um na sua batalha. A maioria não quer justiça. Querem apenas alimentar seu próprio umbigo e isso basta. Se vocês tivessem noção do cinismo desses patrões que nadam em dinheiro, se eles atingissem vossos umbigos, tenho certeza que você, egoísta, seria o primeiro a se rebelar. Ou então aceitaria a corda apertando seu pescoço sem sentir nada, porque a cegueira nos impede de ver que poderíamos ser melhores do que somos e ela nos impede de enxergar o que é, de fato, a LIBERDADE.

domingo, 9 de outubro de 2011

Procurei em todos os cantos
e apesar de alguns encantos, me perdi
Agora entendo o mergulho:
Hora voando, hora afogado no azul profundo
Sem ar, sem lar, sem par, sem paz...
Não há segredo, não há fórmulas, não há um resultado final
De tanto me perder, achei-me
Agora é andar
E a felicidade agora são momentos
Mas momentos que, por mais que durem apenas um dia, uma hora ou uma semana
Valem mais que qualquer vida inteira
Loucos para vender
Loucos pelo lucro
Até aí tudo bem
Só não jogue sujo
Não seja sujo como o dinheiro
Só não faça absurdos
E não se faça de surdo


Não seja sujo como o dinheiro...

quarta-feira, 5 de outubro de 2011

Eu acredito no futuro sim, do fundo do coração
Mas tenho a impressão que, atualmente, a humanidade está andando em marcha ré
Apesar do esforço de alguns
Há o esforço de outros, os que usam a força
E não estou falando de músculos, de armas, muito menos de tamanho
Enquanto alguém se achar melhor que alguém, o passado será o futuro
(Apesar da tecnologia e do tempo que passa)
Se você goza de prazer toda vez que se acha melhor que alguém,
não sabes o quanto isso é broxante

Troféus e mais troféus aos que mais sabem enganar
Vocês precisavam ver a cara de decepção que me olhavam, eu, o perdedor
São tão espertos que têm que ficar espertos, para não passarem a rasteira
E nada mais são que ratos fugindo da ratoeira, das armadilhas
Criadas por eles mesmos: a competição
Somos treinados a competir desde pequenos

O gari, o pedreiro, o doutor, o advogado, o político, o garçom, o bancário
Dentro de todo esse meio, e qualquer outro, tem gente usando a força
O pobre e o rico, o negro e o branco, o homem ou a mulher
Buscam o topo, o lugar mais alto do pódio
Um bando de frustrados, pois só um pode vencer

E topam tudo por dinheiro
Até matam, se preciso for

Um bando de gente roubando escancaradamente e voltando ao “poder”
Vê se pode
Poder: o doce prazer dos imbecis

E enquanto houver imbecis, não sairemos da marcha ré
E por mais que acreditem no futuro,
por mais que falem sorrindo,
por mais que demonstrem sentimento
(eles são bons nisso: em máscaras)
Há força
Há força e a força é minha forca
Gostaria muito que parassem, eu imploro
Se não, a corda apertará

E ela já está no limite,
encostada em meu pescoço