quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

2012


JANEIRO

                Mais um ano virou e eu já estava decidido: trocar o certo pelo duvidoso. Não tinha mais dúvidas: a vida, ao menos para mim, tinha que ser muito mais que acordar no mesmo horário todos os dias, pegar ônibus lotados e engarrafamentos... Eu precisava, mais do que nunca, de mim. Nesse mês, anunciei minha demissão do meu emprego seguro, concursado. Por isso, muitos colegas de trabalho, espantados, me perguntaram:

- E vai fazer o que quando sair daqui?
- Vou comprar uma Kombi e cair na estrada.

                Alguns não acreditaram... 

                E eu adoro quando é assim.


FEVEREIRO
               
                Último dia trabalhado... Liberdade, mais de três anos depois... Mudanças... Mais um ciclo acabava. São Paulo, cidade de amor e ódio, da diversidade, do colorido, ainda que em preto e branco, chegou a hora do adeus. De volta para Aracaju.


MARÇO

                Mês que eu conheci e casei com minha Clarice... Minha sede de viver transbordava e meu medo de morrer vivo, respirando, me preocupava... Eu precisava viajar.




E vai ralando o dia inteiro
A vida escorre pelo ralo
Vai escorrendo pelos dedos
Que vida rala,
isso me deixa adoentado

Não... Não vou ficar parado...
Não, não sou eu que sou amalucado

Vou viajar...
Eu preciso respirar


ABRIL

                Era uma sexta-feira 13 quando Thiago, Clarice e eu rumamos para o desconhecido. O coração batia forte, mas tão forte, que parecia querer me dizer: “nessa velocidade, quero ver você dizer que isso não é viver”... Sim, era... E os arrepios a cada quilômetro rodado, a cada lugar novo que conhecia, a cada pessoa interessante que cruzava nossos caminhos, mostravam-me que meu coração não mentia para mim... 




MAIO E JUNHO

                De volta a São Paulo, sob outro contexto, e em vez dos ônibus lotados, eu tinha minha Clarice. Engarrafamento? Só se fosse de ideias... Nesse mês teve a virada cultural, inesquecível, rendeu até matéria na internet. Pessoas também inesquecíveis... E os velhos e bons amigos, todos com a alma transbordando, implorando por vida de verdade...




JULHO

                No início do mês, a FLIP (Feira Literária Internacional de Paraty). De São Paulo até lá, serras e paisagens impossíveis de descrever... Entre uma subida e outra, entre uma descida e outra, Clarice às vezes ia na primeira marcha, o marzão lá embaixo, as cidades pequenas, parecia que voávamos... E, com certeza, nós voávamos. E lá em Paraty, o voo continuou.




                De volta a São Paulo, mudanças na viagem: agora eu iria seguir sozinho. Precisava acelerar ainda mais meu coração acelerado... Se é para viver, que seja o mais intenso possível. No final do mês, Clarice e eu estávamos na mágica São Thomé das Letras, sul de Minas... Um dos lugares mais foda que já fui até hoje... Lá eu me sentia em casa... Lá meu coração nem precisava andar a 100 Km/h para eu respirar em paz... Lá era a calma das coisas que me acalmava... Lá nunca vi tanta alma escancarada...




AGOSTO

                Mais uma vez em São Paulo, mês do meu aniversário. Fui comemorar na Praça da Sé, junto com os “maluco beleza”, já que Raulzito morreu em 21 de agosto, data que eu nasci. E foi uma festa do caralho.




Já havia decidido voltar para Sergipe, escrever um livro e decidir depois o que fazer. Dia 23, eu estava pegando a estrada novamente. Agora seriam 2.200 Km, só Clarice e eu...



                No segundo dia de viagem, depois de 700 Km rodados, depois de parar em vários lugares até chegar ao meu destino do dia, no momento que eu ia guardar o carro, ele não ligou. Exatamente na frente da pousada que eu já tinha acertado para dormir. Não tinha lugar melhor para dar problema...
Um dia, passeando pelas ruas de Campos dos Goytacazes enquanto esperava o conserto do carro que durou cinco dias, olhando cada janela, cada praça, cada casa, cada prédio, eu me imaginei morando ali, até que me perguntei: Por que não?





SETEMBRO

                Várias coincidências fizeram-me ter certeza: ali era a nossa lua de mel, Clarice e eu. Apesar dos problemas, dos gastos além do que eu tinha em minha conta, tive que fazer um empréstimo, tudo estava lindo, tudo estava em seu lugar. Ainda tentei arranjar emprego lá para ficar, mas não era pra ser. Ainda fiz uma mudança de uma amiga de Macaé, no RJ para Cachoeiro de Itapemirim, no ES. Foi um mês mágico e, antes que ele acabasse, peguei a estrada novamente.



Já próximo de sair de Vitória, no ES, em pleno trânsito intenso, o cabo da embreagem se rompe. Problema? Que nada... Diversão... Passado o sufoco, olho para o outro lado da avenida, só vejo loja de Auto Peças e, a oficina que eu precisava, ficava por ali por trás... Dava para ficar com raiva?


OUTUBRO

                Até o último segundo da viagem, literalmente o último segundo, teve coincidências, que se ligavam com as que aconteceram desde o início de tudo. Agora eu tinha um objetivo, apesar de que eu só cumpriria se viesse de uma forma natural o que, ainda bem, e não poderia ser diferente devido à leveza extrema do meu espírito, aconteceu. Comecei a escrever o livro: Clarice, minha menina.


NOVEMBRO

                Terminei de escrever o livro, depois de um mês inteiro e intenso. Foi trabalhoso, foi cansativo, mas quando se há amor, seja como for, tudo é lindo... E foi!! Esse é só o primeiro parágrafo do livro:

Quando minha mãe estava grávida de mim, no início da década de 80, jamais poderia imaginar que quando eu me debatia dentro de sua barriga, às vezes com força, já era eu brigando pela minha liberdade. No dia 21 de agosto, lá estava eu começando do zero isso que chamamos de vida e que até hoje ninguém soube explicar de onde viemos, para onde vamos e para que estamos aqui. Não chorei... E logo me deram uns tapas, que é para mostrar como funcionam as coisas por aqui.


O parto
A porta
Aberta

A vida”



DEZEMBRO

                Para fechar, vou passar a virada do ano com meus velhos amigos, de infância, da adolescência, a mesma galera que estava ao meu lado quando toda essa viagem começou. Sim, começou há uns 15 anos atrás, essas coisas não acontecem de uma hora para outra. Destino: Mangue Seco, Bahia. Há uns cinco anos atrás, também em uma virada de ano, eu chorava sem parar, sem conseguir me conter e eu já sabia, eu dizia: era algo grande se transformando dentro de mim. Naquele ano, jamais poderia imaginar que seria tudo tão lindo assim, que eu iria chegar onde cheguei... E vai ser lá que vou brindar esse ano mágico que passou, e não que vai acabar lá, a viagem continua, é muito mais interior que exterior, é só mais uma comemoração de mais degraus construídos... E os degraus desse ano foram fodas!!
                Lá foi sempre um lugar que me salvou, que quando voltava de lá, quando morava em Sergipe ainda, voltava com minha alma limpa, leve, tranquila demais... Quando parecia que ia me faltar o ar, lá eu conseguia respirar em paz, calmamente, assim como em São Thomé das Letras. Agora, 2013 vem aí e não tenho pressa: aprendi a viver um dia de cada vez. Na minha bagagem, cada vez maior, um item que eu tanto queria: um apego grande ao desapego material.

terça-feira, 25 de dezembro de 2012

domingo, 23 de dezembro de 2012

Não perecível

Todos os amores importam-me...

Mas o que mais me encanta,
que arranca lágrimas dos olhos,
que me arrepia,

é o amor não perecível...

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Correspondências

Meu querido...

                Minha vida agora é tão doce como são doces suas palavras. Eu que já tentei tirar minha própria vida duas vezes, eu que decidi me isolar do mundo de uma vez, agora tenho tanto gosto de viver, tenho tanta vontade de sair por aí, de andar ao seu lado de frente para o mar, descalços, sentindo o chão, o mundo aos nossos pés, ou de deitar sua cabeça em meu colo em um parque ou uma praça qualquer da cidade, conversando sobre os mistérios e as tragédias da vida, sobre a imensidão do universo, sobre o passado da humanidade, sobre o futuro da humanidade, sobre o amor, sobre o querer bem ao próximo e sobre o prazer e a divindade de conseguir compor canções e de rabiscar poesias. Quero tanto isso que, quem não me conhece, estranharia essa minha vontade de sair de casa, mas é que agora, fora dela, tem você.
                Não há nada melhor do que alguém que nos entenda, principalmente quando é difícil alguém nos entender e, com poucas palavras, mas sem meias palavras, já entendemos tudo por inteiro, sobretudo a profundidade delas que é o que mais nos interessa, que é o que mais nos toca. Existem os indiferentes e os diferentes, e os indiferentes, por mais que pensem diferentes, são todos iguais. E agora tudo em minha vida é diferente. Sua alma desnuda deixou a minha inteiramente nua diante da sua, sem vergonhas, sem pudor, sem timidez, e olha que elas não paravam de se beijar em nossa frente, de se apertarem, de se excitarem... de gemerem. Dispa-se inteiro, meu amor, que eu vou te amar... Inteiro... Até o fundo da alma, do jeito que sei bem que você sabe bem.
                De repente, na fila da padaria, eis que chego lotada de coisas, abraçando os pães e bolos, toda desajeitada e, algum anjo, derrubou a chave do meu carro, o que fez você se virar e, de prontidão, pegá-la e por em uma das minhas mãos. E foi assim que deu pra ver que você segurava um livro da Clarice Lispector, o que fez dá uma fisgada no meu coração. Por sorte, isso ás vezes nos passa, começamos a conversar, era ela o nosso elo: Clarice... Não dava para permanecermos calados. Como eu estava apressada, conversamos aqueles dez minutos e foi o suficiente para eles virarem eternos. Mesmo se um dia a gente se separar de uma vez depois de uma briga, sei que ainda sim quereremos bem um ao outro, do fundo do coração, porque você se importa com a minha felicidade e não apenas com a sua, sei que não sou a peça que falta para preencher um quebra-cabeça seu, sobre isso, o seu está completo, e só assim pode-se amar na totalidade do sentimento. Algumas pessoas amam outras, não porque apenas as amam, mas porque elas preenchem um vazio delas e quando já não precisam mais dela, já não precisam mais amar o outro. Alguns até disfarçam, no final, desejando o bem ao outro mas, no fundo, desejam que a vida se vingue por eles. Os indiferentes... Ainda bem que você é diferente.
                Vamos marcar para nos ver, só se passaram vinte e quatro horas, só te vi uma vez e rápido, mas já tenho saudades, uma saudade deliciosa, com sabor de chegada em vez de partida. Não é uma delícia? E não é pressa, poderíamos até esperar mais, está tão bom assim também... Mas é a fome de amor que me faz querer te encontar e já, faz tempo que eu não como, esse prato prinicpal de minha vida, tô laricada ...  

Beijos da sua E.M.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Triturei meu orgulho e espalhei os pedaços pelo chão

E cada pedaço que vejo morrer, agonizando,

é um pedaço a mais de vida que vejo nascer em mim...

Sorrindo

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Meus Versos, Meu Universo





Minha alma transgressora me traz paz...
Sentir, nesse mundo, às vezes parece o inverso...
Rasguei meu manual de instruções e fiz uma fogueira na beira da praia para tocar meu violão

Aos que esquecem de sonhar, não esqueçam que até o inconsciente sonha... Por que quando abrimos os olhos, insistimos em continuar dormindo, cegos? Sonolentos, vão nos roubar e nem vamos perceber. Se você sonha e sente, como um eterno brincar (mesmo que doa), esse livro corre um sério risco de te fazer sorrir...

domingo, 16 de dezembro de 2012

Correspondências


Minha querida...

                Se eu não conhecesse bem seres como nós, ficaria me perguntando: como me conheces tão bem, com apenas dez minutos de conversa? Mas, sobre isso, o que tinha de ser escrito, já foi escrito e escreveste muito bem. Sim, ninguém deixará de respirar se o que vai nos bombardear é o amor no seu sentido mais puro, na sua essência, esse sentimento que almejamos tanto, raro encontrar. Não temas em me amar, não temas em me bombardear, meu coração deserto agradece, o seu amor é como água para esse meu chão só de areia, mas que nunca vai transbordar, ela suga tudo para si, esteja à vontade, é também minha vontade. Eu também já te amei desde ali, a nossa primeira conversa. A correria das coisas e a pressa de quererem apenas “ter” os distraem tanto que acabam esquecendo deles mesmos e desse sentimento tão nobre, tão nosso. A nossa única pressa é “ser”, e acabamos por não esquecer de ninguém. Ah, como queríamos que a humanidade agisse de forma diferente, mas como nem tudo na vida é do jeito que a gente quer, acabamos desesperadamente torcendo para encontrar pessoas assim, em que podemos pensar todos os dias antes de dormir, com um sonho que se repete, mas que não se enjoa (o sentimento é sincero), e eis que surge você, a famosa luz no fim do túnel, luz essa que me fez acordar sorrindo como há muito não acontecia. Você apareceu e aparou o meu “eu” que se encontrava em queda livre, desamparado, ah, como esperei por esse seu aparecimento inesperado. E finalmente você apareceu: e você parecia eu. Aí eu pensei: é você.
                Entendo perfeitamente quando dizes que a tenho e não a tenho ao mesmo tempo: não queremos nos acorrentar, como fazem normalmente e que, normalmente, acaba em divórcio, ou brigas e até espancamentos. Nós não. Queremos apenas voar lado a lado, em paz, de mão dadas e se em um dado momento quisermos soltar as mãos, soltaremos , mas sempre estaremos ali, próximo um do outro, mesmo que distantes, pronto para dar o que o outro precisa. És preciosa, sabes demais do que preciso: desse sentimento nobre, tão pobre ao seres lá fora. Meu quarto escuro agora brilha, já que tenho você em minha mente. Não quero que você se encaixe em minhas verdades, sei que não queres que eu me encaixe na sua: queremos apenas aprender um com outro e, para nós, não existe aprendizagem sem liberdade. Quero a tua felicidade e sei que queres a minha e não queremos prender um ao outro para satisfazer apenas a nossa própria liberdade. Isso não é amor, é egoísmo. Se um dia para seres feliz precise que me distancie, assim o farei, porque eu te amo. Sou teu, és minha e não somos de ninguém. Apenas somos e como somos bem resolvidos, isso nos basta.
                Também te amo como nunca amei ninguém, aliás, desde os meus catorze anos que te amo, quando criei um ser imaginário para que pudesse escrever tudo isso que te escrevo agora, era esse ser o meu amor. Quinze anos depois, minha imaginação tomou forma, agora tem olhos, boca, cabelos, braços, mãos e, sobretudo, coração. Agora posso tocar-te, posso beijar-te, posso abraçar-te e, sim, sem pressa. Vamos nos paquerar, vamos mandar versos e frases um para o outro, vamos passear de mãos dadas, vamos conversar, vamos nos instigar, vamos fazer nossos sentimentos quererem ainda mais o que já queremos tanto, só para ficar ainda mais delicioso (gosto que os apressados não sentem, comem cru). As primeiras vezes são inesquecíveis, então faremos de todas as nossas vezes as primeiras vezes. Já que nos amamos eternamente, não precisamos de pressa, vamos sentir cada segundo desse nosso amor intensamente, para assim durar mais e mais, diferente dos apressados que acabam por desgastar tudo em tão pouco tempo, os afoitos, mal sentem o gosto da “comida”. Se faremos sexo na primeira noite ou se daqui há um mês, se vamos nos beijar no primeiro encontro ou só daqui há uma semana, o que importa? Com a gente vai ser diferente, como já é diferente: amamos tanto que mesmo que hajam bombardeios (como estou a sentir vindo de você e você de mim), ainda é pouco... Se é amor, queremos sempre mais.
Fica bem também... Agora sim, estou bem. Ame além, amém. Além ame, e eu te amo também.

Beijos do seu M.R.

sábado, 15 de dezembro de 2012

Correspondências


Meu querido...

                Permita-me chamar a ti já assim, apesar de conversarmos por apenas dez minutos ontem à noite. Seres como você identifico-me até no olhar, de longe, sem uma conversa qualquer, mas que bom que ainda assim pudemos conversar. Já leste Nietzsche e tem amor por sua obra, já leste Clarice Lispector e Fernando Pessoa, e tem igual amor por suas obras. Saibas que, já por isso, tens o meu amor por você. Cada letra datilografada ou desenhada por esses autores, e muitos outros, é um “querer bem” meu a ti, porque sei muito bem que se sente perdido nesse mundo, sente-se só, as coisas não lhe agradam como elas acontecem, assim como não agradam a mim também. Foste outrora feliz, tivera sonhos lindos, posso imaginar os mais lindos que alguém possa sonhar, mas a dura realidade veio com a força de um tsunami, mas não na velocidade deste, para ir levando cada um desses sonhos, como se fossem apenas pedras espalhadas por uma estrada qualquer, como se fosse apenas um objeto arrastado sem qualquer valor. Sim, a sociedade não vive para sonhos e sim para o status e dinheiro, para o egoísmo e para o si mesmo. O resto não existe, desde que eles não precisem. O resto é estranho ou ridículo ou sujo para eles. E para eles, somos assim.  
Devo dizer que amo você assim como nunca amei ninguém e que esse amor poderia passar sem beijos, sem sexo, ou sem te encontrar novamente, mas ainda assim, serias o homem da minha vida, o homem que me faria, todos os dias, sorrir antes de dormir ao pensar em você, coisa que só um ser humano nobre poderia fazer a mim. Esta é só nossa primeira correspondência, foram só esses dez minutos de conversa, mas escrevo sem medo: eu te amo! E sei que não vais me achar “melosa”, muito menos precipitada, muito menos exagerada (ah, como é tranquilo te escrever e como é raro essa tranquilidade em mim a escrever para alguém): a nossa língua, que espero sim que elas se entrelacem mais adiante, porém sem pressa  (só tem pressa quem ainda não ama a si mesmo em sua total profundidade), é uma só: a dos seres apaixonados pela vida, sobretudo pela sua simplicidade, pela sua beleza. Mas uma multidão, ao contrário de nós, dá sua vida em troca de muitas vaidades gratuitas e que vai na contramão de tudo que tanto queremos. E é esse o nosso destino: suportar.
                Porém, fica bem, que bem eu já estou: te conheci... Eu gostei de cada gesto seu, de cada gosto seu, desse jeito seu e, minha vida, há pouco indigesta, passou a ser doce. Amo-te, meu amor... Amo-te tanto tanto quanto a mim mesma, sabes do que estou falando, portanto, sabes o tamanho desse amor: infinito. Posso dizer que sou sua, porque sei muito bem que sabes que não sou sua. E cada inspiração e expiração de ar seu, sinta um beijo meu, sem receio de que isso vá te sufocar... Nós carecemos desse ar, nunca é demais... Um ar peculi-ar... Sei que vai te fazer sorrir... E a mim também... Para quem sabe respirar esse ar, ele é viciante, você bem sabe.

Beijos da sua E.M.

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012


Quando olho, olho distante, cada detalhe, até onde a vista alcançar...

Não gosto de desperdícios!

terça-feira, 11 de dezembro de 2012


                    A humanidade é muito engraçada. O facebook ficou fora do ar por uns 30 minutos e várias pessoas começaram a reclamar, a fazer piadas, a jogar pedras... E em quem? Nos criadores do facebook. E quem são os criadores do facebook? Os caras que fizeram essas pessoas reclamonas há alguns anos passarem boa parte do tempo de suas vidas se divertindo com o site e de graça, diga-se de passagem. Mas por causa de alguns minutos, pedras neles, nas mesmas pessoas que salvaram a vida de muitos, já que alguns até me assumiram que não sabe viver sem o facebook.
                Quando eu trabalhava no banco, o sistema caía por dez minutos e a reclamação era geral, raivosa, até grosseria eu ouvia. Eu sempre pensava: se não houvesse a informatização, as filas seriam maiores, tudo demoraria mais, transferências seriam mais demoradas (e hoje você pode até fazer muita coisa dentro de casa), mas se parar por 10 minutos, os clientes não se conformam. Pedras neles.
                Assim é a humanidade... Não sabem reconhecer os ganhos, usam e abusam da tecnologia e facilidades proporcionadas, no caso do facebook, vale a pena lembrar novamente, é de graça, e quando perdem por um só instante, começam a tacar pedras e palavras grosseiras. Se a coisa funcionar por dez anos sem dar problema e parar por cinco minutos, eles nem vão lembrar que estão xingando justamente os que fizeram a alegria ou tornaram a vida mais fácil dessas pessoas.
               
Eu falo que a humanidade é engraçada, para não dizer que é triste... É a tal história: rir para não chorar.

Há tantas coisas tão mais urgentes para se reclamar... Mas não atrapalham o comodismo deles e para que perder tempo reclamando?

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Estrela cadente
Passa rápido
e de repente
Mas quem vê
fica contente
E o pedido
é para sempre...

Toda vez que vejo uma, meu pedido é:
que eu seja eu no mais profundo do meu eu

quinta-feira, 6 de dezembro de 2012

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Eu não caibo em um cubo
Não me encaixo em uma caixa

Não tirem minhas medidas...

Eu nasci para voar!!


E enquanto eu tiver que me encaixar em suas verdades,

não me terão

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Um dia escrevi no espelho da casa dela "Eu te amo", com o batom dela
Quando ela viu, brigou comigo

Outro dia, escrevi a mesma coisa
Ela me achou um bobo

Um outro dia, escrevi novamente
Ela me encheu de beijos

O mesmo batom
Diferentes mulheres

quarta-feira, 28 de novembro de 2012

140 caracteres

. Se você entendesse a leveza de minha dor, não iria criticar esse meu ar pesado... Iria era sentar ao meu lado e me fazer perguntas, curioso...


. Não fique brava comigo, é só a minha opinião, não tome-a como uma verdade... Ela não existe...


. Não é o medo que tem que sair da sua frente... Você é que tem que sair de trás dele...


. Saudade arde... Mas arde muito mais não ter motivos para sentí-la...


. Deve ser muito chato para quem depende de dormir para sonhar...

sábado, 24 de novembro de 2012


                Eu ainda era um leitor iniciante, não sabia ainda quem eram os grandes autores e, sobretudo, quem eram os meus autores preferidos, quando peguei  um dinheiro que juntei com o suor de minha mesada (brincadeiras à parte, eu tinha que abdicar de algumas coisas mesmo para poder sobrar alguma coisa), todo trocado, e fui em uma livraria pequena de Aracaju, hoje uma MegaStore, para comprar meu primeiro livro com o meu próprio dinheiro. Cheguei todo tímido, era um mundo novo para mim, e abri vários, escolhidos pela capa ou título, e li vários trechos dos mesmos. Indeciso entre uns dois ou três, já próximo de ir embora, eis que pego mais um e abro em uma página qualquer. Aquela primeira crônica me agradou muito. Depois, aleatoriamente, abri em outra página e li mais uma que me agradou mais ainda. Eram exatamente aquelas palavras, aqueles assuntos, e tratados daquela forma que eu queria ler e que até então eu não tinha descoberto. Não tive dúvida: eu já tinha escolhido o livro que ia levar.
                Comédia da Vida Privada, de Luís Fernando Veríssimo, era o livro. A ansiedade de chegar em casa, andando apressado, ansioso, com o livro nas mãos, cuidando como se fosse ouro, era grande. Bem mais tarde, em São Paulo, estava eu lendo uma crônica de Clarice Lispector relatando o sacrifício e as humilhações que ela teve que passar para pegar um livro emprestado que ela queria muito ler, mas que não tinha dinheiro para comprá-lo e senti exatamente a mesma sensação que ela descreveu lindamente quando voltava para casa, abraçada com o livro, também como se fosse ouro. Naquele instante, voltei no tempo, ah, o poder das palavras. Como li em algum lugar, as palavras podem não mudar o mundo, mas podem mudar as pessoas e estas, sim, podem mudar o mundo. E é na infância que as coisas acontecem com uma pureza maior, uma pureza quase virgem e, por isso, muito marcantes. E ali era o início de minha infância como leitor assíduo.
                Todos os lugares que eu ia, ia com ele embaixo do braço. Quando estava com minha mãe quando ela ia no mercado ou em qualquer outro lugar, eu ficava no carro lendo ou levava onde pudesse ler. Levava também todos os dias para o colégio e, nos intervalos, ou durante a aula mesmo, eu me deliciava com aquelas crônicas em vez de sair da sala de aula, lá dentro agora era mais interessante, não era um colégio que me agradava. Nos pontos de ônibus, nas filas para pagar alguma conta, sem eu saber de nada, estava nascendo esse escrevedor de palavras, soltas, que às vezes nem sabe se é poema, letra de música, conto ou crônica... E muito menos que sabe escrever palavras difíceis, de dicionários, diferentes. Mesmo assim, humildemente, rabisco umas dores aqui e umas alegrias ali. E quem estava lá, no início de tudo, ensinando-me, minha infância literária, era esse cabra, o Luís. E toda falta de habilidade com as palavras minhas é de inteira responsabilidade do mesmo. O professor foi dos melhores que já li.
                Apesar de não ter sido o meu único mestre (são tantos), tocado pelo seu estado de saúde atual, finalmente escrevo essa história que tanto já contei por aí. Para uns podem até ser uma história simples, ou até mais uma história agradável, mas sem tanta importância. Para mim, não. Quase vinte anos depois, ainda o leio com o mesmo tesão desses primeiros dias  e se assim é, há amor e, quando escrevo, são histórias tocadas por esse sentimento que me fazem escrever. Além do que, independente da minha habilidade, o ser humano que se transformava e que hoje orgulha-me tanto, tem um toque de todos os meus mestres e ele foi o primeiro. E espero que, entre as palavras que ele por ventura venha dizer por estes dias, não diga a última, o adeus. Vai fazer muita falta, e não só para mim, tenho certeza absoluta. Ah, a beleza das palavras...

quinta-feira, 22 de novembro de 2012

sábado, 17 de novembro de 2012

Quem me dera fossem meus dedos,
por entre seus dedos,
ao invés do teu cigarro

Quem me dera seu trago,
tão apreciado, olhos fechados,
fosse meus lábios,
ao invés do teu cigarro

Quem me dera aquela olhar distante, longe...
Perto do meu olhar distante

Ah, quem me dera nossos silêncios se entrelaçando,
quem me dera que tudo não passasse de um sonho

Alguém me dirá:
Acorda!
E eu responderei:
Mas é justamente por isso:
Eu acordei

E os que vivem em sonhos, as sensações, "estou acordado"...

Ah, se fosse fácil pra mim enganar a mim mesmo...

Mas não

Acendo meu cigarro


... E sonho!

segunda-feira, 5 de novembro de 2012

Graciosa menina, minha graça de viver...

Essa humanidade lá fora, tão sem graça...
Esse viver sem sentir,
que para mim é morte com respirar

Você não, é o oposto
Fico até mais disposto:

Há vida na terra!!
As palavras tiveram dó da dor do poeta e

deitou-a em um papel...

E para cumprir esse papel,

a caneta....

A tinta...

Sangue da alma

domingo, 28 de outubro de 2012



Tem gente que se acha “o inteligente” por ser socialista
Tem gente que se acha “o inteligente” por não ter facebook
Tem gente que se acha “o cara” por não ter religião
Tem gente que se acha “o cara” por ser inteligente
Tem gente que se acha "o cara" por ter o carro do ano

Cada um pensa como quer e
tudo, toda atitude, tem os dois lados
Uns podem usar coisas boas para fins ruins
e vice-versa

Tudo fora de nós, apenas faz parte desse jogo de ilusões
E você não é mais e nem menos por nada que tem aqui fora

Enquanto você “se acha” por algum motivo,
seja lá qual for,
é porque você ainda não se achou

E, no final das contas,
é isso que importa


Um conselho:
Em vez de subir em um salto...
Prefira voar!!

quinta-feira, 18 de outubro de 2012

Sempre ouvi dizer que não se discute política, futebol e religião...

Mas nunca ouvir ninguém assumir,

humildemente,

que o que não se sabe é discutir
Um aviso aos pobres de espírito:
Eu estou torcendo muito, mas muito mesmo, por vocês...

Espero que vocês um dia evoluam

Vocês não têm noção de como a vida é bela

segunda-feira, 8 de outubro de 2012

Queria ser uma estrela
Seus pés no chão,
o céu

---

Meu corpo me chama para dormir
Minha alma para passear
E para não ter briga aqui,
vou deitar e vou sonhar

---

Deus grafita o céu com nuvens brancas
Desenhos de criança...

---

Apressados
Vivem sob pressão
Eu tenho pressa
de calma
Não prometi voltar
porque sei que nunca saí
daí
de dentro
de você

quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Quando se aproxima das eleições, muita gente enche a boca para falar mal da corrupção

Muitos não percebem que, além dos políticos, estão falando mal de si mesmos


Corrupção:
cor.rup.ção
sf (lat corruptione) 1 Ação ou efeito de corromper; decomposição, putrefação. 2 Depravação, desmoralização, devassidão. 3 Sedução. 4 Suborno.


Desconfio dos que falam mal da corrupção só de dois em dois anos 


A corrupção jorra no nosso dia-a-dia

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

      Ao perceber que tentavam puxar meu tapete, foi aí que eu cresci:
além de aprender a não me render,
criei habilidades para ficar em pé em lugares poucos propícios para tal

E em vez da queda,
meu riso de escárnio

Campos dos Goytacazes - RJ

      A mudança nunca muda:
quer sempre o novo

      E eu, sempre renovado,
quero mudanças

      Não, ninguém precisa mudar ao meu redor
      Ai de mim, se eu tivesse que esperar pelos outros
      São tantos os preguiçosos de viver

      Agora, estou em uma cidade que há pouco não conhecia,
morando em uma casa antiga, que há pouco não conhecia,
conversando com  pessoas que também não conhecia
e algumas delas parece até que conhecia há muito tempo,
porém, há pouco também desconhecidas

      Nesse exato momento,
olhando pela janela enorme típica das casas antigas,
escrevo em meu velho caderno já tão conhecido por mim:

      Morarei eternamente no mesmo lugar:

na mudança






E amanhã, quem sabe,

um outro lugar?

terça-feira, 4 de setembro de 2012

Novos Horizontes...

     Aí eu resolvi voltar para Sergipe, passar uns meses lá, juntar uma grana e viajar novamente em janeiro com minha Clarice...

     Mas no segundo dia de viagem, depois de acertar minha dormida em Campos dos Goytacazes, no Rio de Janeiro, quando voltei para ligar o carro para guardá-lo, nada de ligar. Depois de umas olhadas  e tentativas, nada. Ligo pro seguro. Problema: motor. Gasto: fudido. Dinheiro: não tenho. Tempo para conserto: vai demorar um tempo...

    Aí em vez de me estressar, ou ficar com raiva, fui almoçar achando graça de tudo. De repente, em um som ambiente, a música hino da viagem: Infinita Highway...

    Outras coincidências aconteceram...

    No outro dia, aluguei um quarto por aqui...


Novos Horizontes (Engenheiros do Hawaii)
Corpos em movimento
Universo em expansão
O apartamento que era tão pequeno
Não acaba mais


Vamos dar um tempo
Não sei quem deu a sugestão
Aquele sentimento que era passageiro
Não acaba mais

Quero explodir as grades
E voar
Não tenho pra onde ir
Mas não quero ficar


Novos horizontes
Se não for isso, o que será?
Quem constrói a ponte
Não conhece o lado de lá

Quero explodir as grades
E voar
Não tenho pra onde ir
Mas não quero ficar

Suspender a queda livre
Libertar

O que não tem fim sempre acaba assim


          E as coincidências continuam acontecendo...

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

21 de agosto de 2012 - Praça da Sé

O dia que esse cara morreu,
é o dia do meu aniversário...

Poderia até dizer que é um presente
Olha quanta gente em minha festa, em nossa festa...

E o que é melhor:
a multidão cantando em coro,
seja lá qual música for,
seja lá qual classe for,
do fundo do coração...

Um grito de várias vozes

Um grito preso na garganta,
que só desengasga,
quando se canta...

"Você alguma vez se perguntou por que faz sempre aquelas mesmas coisas sem gostar?"

Comemorando a vida, na praça da Sé!!








E como meu amigo Bruno é Raulseixista, claro que ele estava lá...




ILHA DA FANTASIA (Raul Seixas)

"Vamos logo que já tá na hora de zarpar
Vem sem medo que não vamos naufragar
Navegador...
Não se esqueça, meu amigo, de chamar o seu vizinho
Navegador...
Vê se na praça tem alguém para vir
A barca de Noé já vai partir, navegador
A barca de Noé já vai partir

Vamos escolher bem melhores condições
Longe desse triste carnaval de ilusões
Navegador!..
Deixa os que sonham ser felizes habitando o paraíso
Navegador..
Já faz tempo que esperou
Vivendo sob leis que não criou
Navegador
Vivendo sob as leis que não criou

Não...Nããoo!!!"




Depois, tirando mais fotos...
Vejo, e leio, a tatuagem nas costas dessa menina do chapéu...
- Posso tirar uma foto?
- Claro!!!


"Até que a morte da verdade nos separe"