sexta-feira, 25 de novembro de 2016

Essa dor de saudade

Não é de você, meu amor...




É de mim mesmo.
Tem me faltado voz
Mesmo em situações bobas
Ao falar com as pessoas

Rio por dentro
Quando me olham meio assustados

Tenho aceitado humilhações e calado
Tenho fingido que não estou vendo
Tenho fingido que não foi comigo
Tenho deixados todos os seres à vontade...

Para fazerem o que quiserem
Tenho deixado pisarem em mim
Meus calos, já tão pisados, tão calejados...

Tenho aceitado tudo
Ainda que todos os limites, do meu suportar
Tenham sido ultrapassados

Exercício diário

Tenho andado desarrumado
Tenho um quarto infinitamente bagunçado
Tenho preguiça de sair de casa
Tenho mil dilemas sobre a mesa
Mais mil sob a mesa
E muito, também, tão bem, eu tenho chorado

Tenho andado cabisbaixo
Distraído do que se passa por aí
Nas festas, nas praias, na mídia, nos rios, nas cachoeiras, nas lagoas, nas ruas...


Até minha conta no banco...

Tá quase abandonada.



















Mas quando eu virar a mesa...

Verão com que habilidade.

quarta-feira, 16 de novembro de 2016

                Abri o bar e sentei no banco, esperando as pessoas chegarem. Sempre abro cedo, pois a disputa por uma vaga é grande. Antes das pessoas chegarem, passa uma amiga, que parou para conversar um pouco comigo. Perguntei pelo namorado que ela havia me apresentado há duas semanas, o qual ela havia falado mil maravilhas dele. Disse-me que tinham terminado. Perguntei quem. Ela mesma, respondeu-me. Por que? “Ahh, tem algumas coisas que não dá para ensinar, você sabe que já fui casada, que já tive várias experiências, não tenho paciência não”. Há mais ou menos dois meses, ela tinha ido lá me visitar e aproveitou para desabafar sobre uma pessoa que ela estava ‘ficando’ na época. Ela se desesperava, como se ainda buscasse explicação, como se implorasse para que a compreendessem. Ela disse que, do casamento, ficaram alguns traumas nela, que a impediam de fazer certas coisas e que, pelo que entendi, eram coisas essenciais para o término desse outro relacionamento. Afinal de contas, de que lado ela está? Do próprio umbigo.
- Eu esperava que você me compreendesse.

- Eu também. Eu esperava que você compreendesse que não consigo te compreender.