domingo, 31 de julho de 2016

sexta-feira, 22 de julho de 2016

Ah, Pessoa...

Trechos de Tabacaria:

“Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas

Estou hoje perplexo, como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.

Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,

Desci dela pela janela das traseiras da casa.”

domingo, 17 de julho de 2016

                Agora sim. Finalmente, em um lugar meu. Mais uma viagem. A maior de todas, até então. Não que as outras, Manaus, São Paulo, a viagem de Kombi, não tenham sido tão grande como essa, até aquele momento. Só que essa, é continuação de todas anteriores. Uma escada que construo, pacientemente, para o topo do meu ser, se é que existe topo... Degrau sobre degrau.
Cansado há tanto tempo da vida corrida, fingida, estressante, das cidades, que envenena as ideias de pessoas tão inocentes, tão espertas, tão ignorantes, tão sabidas, tão donas de verdades, onde cria-se um ambiente propício de visões distorcidas, mudei-me para um lugar tranquilo. Visões tão distorcidas, tão distantes da minha alma que, nesse meio, fica toda contorcida. Assuntos, ora supervalorizados, ora desvalorizados demais, e a essência, que brilha, invisível, o que importa, passa despercebida. Hoje, é de frente para o mar, morando numa casa que fica em um condomínio, pouco movimentado no inverno, que abraço minha paz. Quase deserto. Herança dos tempos das vacas gordinhas de meus pais, não muito, mas que agora usufruo. Lugar onde as poucas pessoas que encontro, são as mais simples possível. Lugar onde me encontro. Lugar onde, quando saio para dar uma volta no fim de tarde, sozinho, praia deserta, de frente para o mar imenso, as lágrimas escorrem sem pudor, sem poder, naturalmente, sadias, sinal da conexão com o desconhecido mistério. Tudo que não sou eu escorrendo através do líquido sal. Onda, pós-onda, pós-onda. Enquanto isso, deixo para trás as pessoas ‘guerreando’ por bobagens tão pequenas, com argumentações tão pequenas, onde eu via a essência escorrendo, como minhas lágrimas, mas de forma inversa... Estas, são dores. Desconectadas de tudo que poderia ser, que estragamos, sem percebermos. É tudo muito “assim mesmo”. Para mim, não. Se isso é uma regra... Eu sou a exceção.
Essa casa foi construída por meus pais quando tinha 12 anos de idade. Época da pré-adolescência, de muitas descobertas, início de uma nova fase. Fase esta, ainda sem responsabilidades, com espaço de sobra para ser quem sou. Fase que eu não imaginava, não parava para pensar, que as coisas iriam se tornando mais difíceis, que o mundo adulto é uma gravidade, grave, que nos atrai, nos tirando do centro de nosso ser. Adoro jogar futebol e, de tantas lembranças, as partidas são o que me lembro mais. Vou à praia e, ao pisar na areia, arena de tantas diversões, chego a sentir a bola em meus pés, arranhando-os de leve, como se tivesse acabado de jogar há dois segundos atrás. Olho ao redor da praia deserta, e vejo os amigos correndo, rindo, brincando, brigando, xingando, se divertindo... Era tudo tão leve!! O que fizemos de nós mesmos? Estamos tão distantes, tão diferentes... Eu não. Claro que não sou mais um pré-adolescente, que me tornei alguma coisa que não era naquela época, mas a essência continua a mesma. Todos os outros caíram na rotina, foram puxados pela gravidade. Eu resisti, motivo de tantas angústias, exige-se muito nadar contra a corrente. Mas, também, motivo de momentos ternos, eternos, plenos, mesmo nessa fase adulta, tão complicada. É lindo demais nadar contra a corrente. Por isso, ao pisar na areia, resgato essas lembranças de outrora, como se fosse ontem. Resisto. Não à toa, hoje estou aqui, sozinho dessa vez. Ninguém mais joga bola. O vizinho, outro dia, veio passar um final de semana por aqui. E jogar bola está, apenas, no museu de suas, nossas, boas lembranças. O mundo adulto o engoliu. Agora, tudo, e apenas, do que ele precisa, é ganhar dinheiro pra levar uma vida tranquila, e pagar a sua diversão nos finais de semana. E para ter essa vida tranquila, é preciso se estressar muito. Seus cabelos estão caindo, quase careca. Enquanto os meus, só crescem, mais e mais... Cada um no seu caminho.
Faço uma caminhada pela praia e meus pensamentos passeiam comigo. Olho para um lado, o mar, e só vejo água e céu. Olho para o outro, poucas casas e, mais para frente, nenhuma casa, e o sol se despedindo, mais um dia. Céu aberto, imenso, parecendo ser quatro vezes maior que o de Aracaju. Aos poucos, meus pés, “arranhados pela bola suja de areia”, tocam o chão da minha essência, que sempre brilhava quando frequentava esse mesmo chão que piso hoje. Era aqui, muitas vezes, que eu curava minhas feridas. Hoje, como antigamente, sem internet, celular só para receber chamadas urgentes, praticamente não ligo a televisão. Livros, filmes e músicas. Engraçado como a esmagadora maioria diz que eu vou morrer de tédio, morando aqui. É aí que fica clara a diferença entre os outros e eu: estou, ao contrário, renascendo. O mesmo lugar, a mesma coisa, que para quase todos é “morte”, para mim é vida. Cada um na sua... Nunca trabalhei tanto em minha vida.  
À noite, céu estrelado, como pouco visto nas cidades maiores, a poluição, o limo que cobre o infinito. Encostei-me de frente ao terreno de minha casa, palco também de muitas ‘peladas’ e brincadeiras, hoje tão modificado, como eu: mas o que ficou, ainda que invisível, ainda está ali, tal qual minha essência. E fiquei olhando para esse terreno, para o nada, para tudo, de todos os tempos. Nem faço ideia de quanto tempo passei ali. Aos poucos, o limo dentro de mim, a poluição, ia se derretendo, se vertendo em lágrimas, onda, pós-onda, pós-onda, lágrimas de cura, de dor, lágrimas de alegria, ao enxergar-me novamente o que sou, por inteiro, como um filho que volta para casa, depois de tanto tempo batalhando a sobrevivência difícil por aí, longe, e que devolve a sensação à mãe, ao pai, de que algo, alguém, uma parte de si, que estava faltando, está de volta. Vivendo uma guerra que não é sua, nada melhor que voltar para casa. Depois, peguei uma cadeira de praia, deitei-a para trás e fiquei, também não sei por quanto tempo, olhando para o céu. Cara a cara com o espaço, com o infinito, limpo, sem poluições. Eis a viagem, a maior de todas: cara a cara com o espaço, com o infinito. Mergulhei fundo dentro de mim. Aos poucos, meu espírito ia separando, não sem dor em alguns momentos, como quem cata o feijão, os que não prestam, daqueles que prestam, que vão alimentar e saciar a fome... De minha alma. Pensei em coisas que fiz, que não deveria, mas que fiz por prazer, era meu dever naquele momento. Pensei no que fiz querendo fazer, mas que me fizeram sofrer. Amor. Qual a medida exata? Fique de cara para o infinito, e deixe as estrelas responderem, sem nada ao redor para atrapalhar. Sem modernidades, sem distrações, sem poluição. Esqueça os livros, por ora, as teorias, tudo que se aprendeu. No outro dia, quando acordar, alguma sensação dentro de ti irá te dizer alguma coisa a respeito.   
                   Não há melhor companhia do que nós mesmos. Clichê. Sim, sem dúvida. Da boca pra fora, como costume da humanidade distraída. Na prática, buscam tapar seus vazios de forma paliativa, nunca ficando cara a cara consigo mesmo. São muitas as opções, as substâncias, os dispositivos... Muitas vezes, nem sequer dá tempo. Muitas vezes, nem sequer sabem que existe o si mesmo. Mas, para executar o clichê, para a sensação divina, só quando a companhia é inteira, coisa rara. A maior viagem de todas. Inteira. Como eu sempre quis, não por querer, mas porque sou assim. Não me entrego para pessoas, ou coisas, pela metade. Assim sou comigo mesmo, por isso sou assim com as pessoas ao meu redor, por isso espero também isso delas: eu sei o que é isso, o que isso significa: a autenticidade carimbada. Mas espero, sem esperar. Ou já teria morrido de decepção. É só o que eu gostaria que fosse: sei que o mundo não vai ser do jeito que quero, nem deveria, quem sou eu? Mas, agora, tanto faz: estou bem acompanhado. Pequenas (grandes) mentiras, pequenas (grandes) decepções de pessoas queridas, a distância que a cidade grande (tão pequena) nos impõe, as distrações... Tenho o mar, em vez disso. Troca preciosa, precisa. Fugindo da gravidade, fico mais próximo do ponto exato, do que tenho que fazer. A intuição, a naturalidade, o jeito de agir, cada vez mais próximo do impecável para mim, do jeito que eu gostaria que fosse, do jeito que me sinto muito bem. Estou cansado de estragos, estraga-me. Não sou desse mundo ilusório, ilusões que tanto infectam as pessoas. Sou vacinado. Tenho alma e coração. Que vocês continuem guerreando, mesmo sem perceberem que é guerra o que está acontecendo. Guerra sutil, juridicamente legal, de sentimentos, invisível. É tudo muito “assim mesmo”. Quantos sofrimentos desnecessários. Quantas necessidades desnecessárias. Se fosse uma partida de futebol, mesmo amando jogar bola, eu seria o primeiro a dizer: tô fora. Nunca se tem nada a perder, nem ninguém, quando se tem a si mesmo. Mesmo quando se fica de fora, do que mais se ama fazer.......................................................................................... Afinal de contas, sou inteiro................................ Não, não morrerei de tédio.

segunda-feira, 4 de julho de 2016

O Médico e o Monstro ou Marla Singer

Primeiro, confiança
Matéria abstrata essencial
Depois, não se assuste
É só o oposto da cura
Posta a dura, realidade
É ilusão, a prontidão...

Das suas necessidades.
(As reais)

Descobrir as próprias
É se cobrir de sangue e risos
Lágrimas e suor
Guerras sem fim...

Imagine as do outro.

É luta

Não existem vencedores
Sem disputa
Não existem vencedores
Nessa luta

O importante, a única coisa...

É lutar

Até lá
Suportar
Suporte de quem ama
Mas antes, não esqueça, nunca esqueça:
É preciso confiar.


O monstro não existe, meu amor
É só fraqueza do médico
Ilusão do cérebro
Doença terminal que nunca termina

Não construiremos bombas, imagina
Mas antes, elas precisam explodir
As existentes...

Dentro de nós.

Faz parte do processo.

- Dê-me sua mão...

O ácido não é excesso
Apenas, essencial

Causaremos dor, mesmo sem querer...

Queira você, ou não.


Na faculdade de ser
Quem você é
Quem você pensa que sou?

Verás o monstro que sou...

O que não existe.

Paciência, meu amor...
Paciência...

Ciência de quem ama.

Em algum momento
As ilusões falecerão
Uma a uma
Rasgaremos suas roupas
Nudez que me dá tesão.

Nessa vida
Em que a maioria se engana
Não sou comum

Sou...

Excomungado

Nessa ilha de ilusão.


Não quero que nada de ruim
Aconteça
(Aconteça o que acontecer)
(Clichê não praticável)
Por minha causa...

Com você.


Simples assim...

É complicado.







“Eu sou a pior coisa que já lhe aconteceu”







“Se quer omeletes
É preciso quebrar alguns ovos”








Meu amor...




“Você me conheceu em um momento muito estranho da minha vida”