domingo, 31 de agosto de 2014

Triste quando chegam para mim
E dizem para não entregar meu coração nas mãos de alguém
De olhos fechados
Passe livre

Dizem que isso é burrice

Mas, para mim...


Isso é a morte do amor

domingo, 24 de agosto de 2014

            Eram 2:37h. O álcool percorria-lhe o sangue, mas estava extremamente lúcida, sozinha, enquanto descia a rua movimentada, conhecida pela noite em que abriga todas as tribos, pessoas de todos os tipos e de todas as idades. Num instante, lembrou do garçom grosseiro, não com ela, mas com duas pessoas que sentavam em sua mesa ao lado. Por nada, por muito pouco, começaram a discutir. As duas pessoas, no entanto, tiveram uma grande participação em provocar a ira do garçom. No fundo, pensou, os três estavam errados... E ela no meio do tiroteio. Foi quando decidiu pedir a conta, chegou ao seu limite. Não gostava de sair de casa, mas às vezes saía, sempre sozinha. Gostava dessas doses de absurdo, só para sentir mais profundamente, que o seu melhor caminho, era mesmo a solidão.
Enquanto descia a rua distraidamente, olhando para o chão, indiferente a tudo ao seu redor, passou por um sujeito que usava uma jaqueta surrada, enquanto recolhia latas no chão sujo. Ele gracejou: “Como você é linda”. Ela sorriu carinhosamente olhando para ele enquanto continuava com seus passos lentos, quando, de súbito, voltou e deu-lhe um abraço. Depois voltou a seguir em frente e, se ela voltasse seu rosto para trás, iria ver o sujeito numa espécie de divagação, de surpresa, de encanto, com um sorriso no rosto como há muito não sorria.
            Mais adiante, bem próximo de onde ela caminhava, uma confusão se formava, entre empurrões e agressões verbais. Um deles, ao ser empurrado, chegou a esbarrar nela, fortemente, mas, sem se voltar para trás, continuou seu caminho. Logo em seguida, olhou para o outro lado da rua e viu uma prostituta bravejando contra alguém, como se tivesse sido agredida ou roubada. Mas ela nem olhou para onde se dirigiam as palavras raivosas. Continuava seu caminho. Os carros, inúmeros seres da metrópole, não paravam de passar. Ela não interrompia seus passos. Não pensava em nada. Apenas ia... Tudo que ela queria, era chegar logo em casa.
            Ao dobrar uma esquina, numa rua um pouco escura, uma multidão de jovens se aglomerava pelas calçadas, e o barulho das conversas e gritos se misturavam com as buzinas e os motores dos carros. Olhando-os, não viu diferença nenhuma entre eles e os carros, a não ser, a carcaça. Fez essa comparação em sua cabeça e sorriu. Antes, esses pensamentos a deixavam triste ou com raiva da vida. Mas depois, aprendeu. Aceitou sua condição de ser só e, salvo alguns instantes de lamento, passou a divertir-se com suas divagações. Já não tinha mais casa entre os seres de sua espécie, a não ser um apartamento pequeno e bagunçado, que servia-lhe, apenas, para abrigar seu corpo. Já não tinha mais par, não tinha quem a entendesse ou quem quisesse ouvir o que ela tinha para dizer. Ia muito além do que ela via. Era a mesma coisa que os outros viam. Mas os outros só enxergavam... Ela mergulhava entre as entrelinhas.
            Nessa mesma rua, passou por dois jovens, um bêbado ajudando o outro a vomitar. Era esse o ápice da liberdade deles, pensou. Mas não julgou como, aliás, não fazia a ninguém... Apenas constatava os fatos. Eram jovens e ainda estavam se procurando, se é que estavam se procurando ou só fugindo, justamente, deles mesmos. Mas nada disso importava mais. Continuando seus passos, poucos segundos depois, um rapaz, provavelmente bêbado e/ou drogado também, dirigiu-se a ela gritando, perguntando quanto era o programa, era essa a diversão dos quatro rapazes que estavam em um carro. Ela não olhou, continuou indiferente, mas pode ouvir o riso de todos dentro do carro, apesar do som bem alto, para chamarem a atenção por onde passavam. Era esse o ápice da liberdade deles, pensou novamente. Um outro rapaz, sentado no banco de trás, ainda completou: você quer enganar quem com essa carinha? Venha gozar com a gente, você não vai se arrepender. E riram novamente. E ela pensou novamente: sou eu, justamente, que não estou querendo enganar ninguém.
            O carro foi embora, ela chegou em uma rua onde tinha menos movimento, e já começou a sentir um pouco de paz. Ainda cruzou com um sujeito que mexia em uma lixeira em busca de comida, o cheiro dele logo denunciava que não tomava banho há um bom tempo, ao que ela falou ao passar por ele: Boa noite, querido! O sujeito olhou para ela e resmungou alguma coisa, como se o que ela tivesse lhe dito fosse uma agressão. Continuando seus passos, finalmente chegou ao prédio onde morava. Uma sensação de alívio percorreu-lhe o corpo, como quando o sujeito está em uma situação de perigo em um lugar bem alto e finalmente chega o resgate para salvar sua vida, como quando uma embarcação naufraga em alto-mar e, horas depois de aflição, passa um outro barco para também salvar aquelas vidas. Lá, sentia-se feliz, sentia-se segura, sentia-se aliviada. Lá, ela não precisava presenciar coisas que já não faziam parte do seu mundo há um bom tempo.
Subiu as escadas, abriu a porta, e jogou-se no sofá, da mesma forma que chegou, sem tirar a roupa, apenas suas sandálias rasteiras. Quase deitada, quase sentada, quase imóvel, olhava o teto e as imagens dos minutos anteriores vinham-lhe à mente. Em outros momentos, apenas não pensava em nada, como se curtisse, como se sentisse em suas entranhas, o alívio de estar ali, longe da rua movimentada. Às vezes, um riso pequeno, mas não sem profundidade, surgia-lhe no canto da boca. Em outros momentos, sentia um aperto no peito, e uma lágrima chegou a lhe fazer companhia. Ficou quase meia hora nesse estado. Às vezes virava o rosto para o lado, em direção à janela, mas só via prédios, pequenos e enormes, esse era o ápice do horizonte de onde ela morava. Quase não dava para ver o céu, tinha que se esforçar, coisa que ela não estava disposta naquele instante. Pensava, pensava, pensava... Em nada... Apenas estava ali, para que as horas seguissem, como se ela pudesse sentir a contagem regressiva de sua vida, louca para chegar o momento em que tudo isso fosse acabar.
Finalmente, levantou-se, tomou um banho e pôs apenas uma camiseta grande, quase um vestido, permanecendo nua por baixo. Acendeu o abajur, ligou o som bem baixo, fechou um baseado e começou a fumar. E enquanto seus sentidos relaxavam com o efeito da fumaça, bem acima do abajur, na parede, escrito por ela mesma, fitava versos de Fernando Pessoa:

Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?

Não me peguem no braço!
Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!

(...)

Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho.


Outras lágrimas desceram. Mas não era de dor, e sim, de um alívio que só seres estranhos como ela podem sentir. Ficou assim até amanhecer, relaxando, ainda praticamente imóvel, enquanto sua alma gozava... Pensou que o que ela sentia, naqueles instantes, era o que todos, na rua, no fundo buscavam... Mas, e daí? Cada um tem seu caminho... Ficou assim, até deixar-se adormecer. Quando acordou, sentiu-se renovada, como se tivesse voltado de uma guerra e, finalmente, estava em casa, em paz... Paz... Era tudo que ela queria e precisava... E só. E que ela só conseguia............... Sozinha.
Um dia, eu sonhei, chovia poesia

Acordei


E ainda chovia

sábado, 23 de agosto de 2014

Vai, querida... Vai...
Não é mesmo para não ter medo
Engana-se quem espera ele ir embora...

Ele nunca vai

Pelo contrário,
vai junto,
de mãos dadas com você

É ele quem vai te indicar o caminho
(Ou cegá-la)
Portanto,
a escolha é sua


O desconhecido, o incomum...
É comum pararem por aí
É comum preferirem o conforto
do que o inconfortável caminho
da busca da delícia de viver...

É comum montarem no cavalo da mentira
e não tocarem os pés no chão da verdade
Com medo de se desmontarem
e não se juntarem nunca mais

Se isso é pouco para você...

Então vai

Se isso é louco para os outros

Mesmo assim... Vá!!


Os normais sabem pouco... de viver
Sabem muito, isso sim... de esconder
Sentimentos, sedimentados, congelados,
inventando mentiras, para não derreter

Vai...

Derrete seu corpo inteiro
Dispa sua alma
Esqueça sua calma
Por ora,
ela fugirá...

Para longe

Se queres ir longe,
vai lá, buscá-la

Verás que ela virá,
vestida de outra forma,
tipo assim:
nua


Vai atrás da vida que é sua
E não a que os outros te convencionou...
Não se convença fácil,
só porque o caminho é difícil...

Deixe que riem, deixe que falem,
sobretudo,
deixem que estranhem...

Quem aponta o dedo para o outro
Mal sabe que está apontando para si mesmo

E mesmo que isso doa,
se doe,
até a última gota do sangue que escorrerás de sua alma,
para encontrar a sua tão sonhada calma...


Não tem mais jeito,
se ficar não te traz paz

Não escreva na lápide dos seus sonhos:
- Uma alma... Aqui jaz!!

Já que é para ser você,
seja forte...

Não se furte,
não fuja,
não se finja...

Com verdade não se brinca...

Enfrenta-se

Não tente não ser você,
não conseguirás

Tens uma alma, iluminada, já é tarde
E a luz desse sol te cegará...

E sem enxergar, na noite, no tato, no instinto
Aprenderás a andar em lugares distintos...

Até a luz da manhã chegar

Para você descansar em paz

Não porque você morreu,
como os normais...

Mas,
justamente,
porque,
finalmente,
você nasceu...


Vai, meu amor...

Vai...

Não deixe que o mundo infrinja
Uma lei que é só sua...

A de mergulhar no escuro
E quebrar as correntes invisíveis
que vestem nosso interior...

Sua alma implora por ser nua...


Vai, meu anjo...
Vai...

Porque nesse mundo de invencionices,
você não cabe mais

Seus sonhos não são sonhos,
descobristes...
Descubra seus medos
E sinta na pele,
o arrepio de que seus sonhos são reais...

Não olhe para trás!!

E, sobretudo...
Não ouça os idiotas,
os que falam tanto,
sem conhecimento de causa

Vai e busque sua casa

Sua cama está arrumada,
te esperando,
para quando chegares,
teres um sono de paz...





Vai!!





Se seu coração já disparou
Parar não te trará paz...

quinta-feira, 21 de agosto de 2014

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Não é que tudo que existe seja ilusão
Mas a maneira como tratam tudo
É que pode ser ilusório

Tudo que se reprime
Imprime um desvio na naturalidade da coisa

E é tão natural que seja assim...
É esse o papel das leis e dos conceito morais

E será que tem mesmo que ser assim?
Será que há outra saída possível?

Não sei...

Só sei que esse é o jogo
Que se chama viver


E o que será tudo isso, para que serve saber ou não saber?
Como diz o ditado: "Quem souber, morre"
Ou, quem sabe:

Quem morrer......................


Saberá

sexta-feira, 8 de agosto de 2014

ALERGIA

Tudo começou quando me deram uma máscara e uma fantasia
Inocente, as usava até com alegria
Mas um dia, de repente, uma alergia
Tira a máscara, tira a fantasia

Descoberto pelo resto da vida

E o resto...
Muito gente continuou mascarado



Para o resto da vida
A culpa nunca é do outro
Quando ele nunca dá
A culpa é sempre nossa
Por não entendermos
Que ele não tem o dom de dar


Se necessitas tanto receber






Então procure outro...




Se é que você vá achar

quinta-feira, 7 de agosto de 2014

Ah, Drummond...

Chega um tempo em que não se diz mais: meu Deus.
Tempo de absoluta depuração.
Tempo em que não se diz mais: meu amor.
Porque o amor resultou inútil.
E os olhos não choram. 
E as mãos tecem apenas o rude trabalho.
E o coração está seco.

Em vão mulheres batem à porta, não abrirás.
Ficaste sozinho, a luz apagou-se,
mas na sombra teus olhos resplandecem enormes.
És todo certeza, já não sabes sofrer.
E nada esperas de teus amigos.

Pouco importa venha a velhice, que é a velhice?
Teus ombros suportam o mundo
e ele não pesa mais que a mão de uma criança. 
As guerras, as fomes, as discussões dentro dos edifícios
provam apenas que a vida prossegue
e nem todos se libertaram ainda.
Alguns, achando bárbaro o espetáculo,
prefeririam (os delicados) morrer.
Chegou um tempo em que não adianta morrer.
Chegou um tempo em que a vida é uma ordem.
A vida apenas, sem mistificação.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Sinto muito!!

Sinto muito...
                             
                             Muito mesmo!

Por isso ando cambaleando,
me debatendo, me segurando...

no vento.

Tomo socos no estômago a todo momento...
Invisíveis
Tão visíveis para mim
(Tão doloridos, mesmo assim)

Ando me rastejando,
mesmo em pé,
até onde der

É guerra sem sangue,
onde desde o início,
eu me feri

Sinto muito...
                           acho que não sou daqui!

E o que me resta,
são essas migalhas de versos,
um chapéu torto
e tanta vida explodindo dentro de mim

Ponho as mãos no rosto, no peito,
no chão, me desespero...

e grito:


Dói pra caralho sentir
Sentimento é coisa séria
Mas levam na brincadeira
E o que é pior:
Eles não estão brincando
Como te dás com a solidão, meu amor?
Se a namoras...
Eu te namoro

Mesmo de longe...
Só...
Enquanto namoro
Com minha solidão

sábado, 2 de agosto de 2014

Depois que alguém tira

O outro alguém tem que compensar

E se o orgulho começar a falar mais alto

Não tem jeito...



O amor vai se desgastar
Depois de tempos angustiantes, sem inspiração, respiração num estado de quase sufocar
Quando a caneta volta a deslizar no papel




Não há sentimento melhor



É quando o meu eu está executando,
integralmente,
o seu papel


Nessa fase
Em que abundam frases
Para qualquer verso...
Dou sempre o meu melhor

Nessa fase
Em que fica tão claro e tão doce
Que tudo não passa de uma fase...


Para qualquer verso...




Eu tiro o meu chapéu
Às vezes tenho a impressão
Que o tamanho da força
É a mesma do tamanho do fundo do poço

Às vezes, até...


Tenho a impressão de ter certeza disso

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Vamos nos formando aos poucos
Cada vivência
É um pedaço do nosso ser que se forma
Assim como o feto
Passo a passo
Tudo no seu tempo



Mas...
Para a bolsa estourar...
Tenho a impressão
Que só lá...


No ápice da solidão