terça-feira, 27 de agosto de 2013

Uns batem a porta
Outros a deixam aberta
Outros a trancam
Outros a deixam encostada
Há até os que troquem a fechadura

A minha, joguei fora

Já não tenho, sequer, casa
Ponto fixo é só o meu presente...
Em qualquer lugar

Na hora de dormir,
qualquer hora,
faço minha cama,
em cima de minhas pegadas


E vou dormir um sono que nunca existiu


É só meu corpo que precisa descansar

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

Notas

            Um dia, fui tomar uma cerveja com dois amigos em uma esquina da cidade São Paulo, a Peixoto Gomide com a rua Itararé. O nome do bar é em homenagem ao gaúcho Apparício Torelli, jornalista/humorista que se auto-intitulou barão de Itararé. Enquanto embriagávamo-nos, não lembro se li no cardápio ou se foi um dos amigos que contou (eu já devia estar embriagado), soube que, cansado de ser perseguido pela polícia secreta de Getúlio Vargas, depois de ser torturado, ele colocou na porta do seu escritório: ENTRE SEM BATER. Achei genial a “sacada”, a crítica e, até, o humor, mesmo nessa situação delicada. Fiquei com isso na cabeça... Pesquisei sobre ele: uma figura fantástica.
            Mas, tudo isso que escrevi, serve apenas para eu tomar a frase emprestada, para escrever uma frase minha, influenciada por essa história do “barão”:





            Na porta do meu coração tá escrito: ENTRE SEM BATER.

sábado, 24 de agosto de 2013

Clarice, minha menina

Link para o blog: www.brincandodeviver2.blogspot.com  

            Quando minha mãe estava grávida de mim, no início da década de 80, jamais poderia imaginar que quando eu me debatia dentro de sua barriga, às vezes com força, já era uma briga pela minha liberdade. No dia 21 de agosto, lá estava eu inserido nisto que chamamos de vida e que até hoje ninguém soube explicar de onde viemos, para onde vamos e para que estamos aqui. Não chorei... E logo me deram uns tapas, que é para mostrar como funcionam as coisas por aqui.


O parto
A porta
Aberta


A vida

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Quando eu falava em cair na estrada,
minha mãe, tadinha,
achava que isso era passageiro

O passageiro sou eu, mainha!




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             (...) Aí é que entra minha menina, Clarice. Quando eu ainda estava no banco, juntei mais ou menos 160 frases que escrevi em meu twitter, fiz um livro de bolso e distribuí mil exemplares. Um dia, depois de dar um para uma cliente, ela olhou nos meus olhos e perguntou-me, depois de ler umas quatro frases: o que você está fazendo atrás dessa máquina?
            Uma semana antes, uma amiga tinha falado comigo pela internet sobre a gente fugir em uma Kombi, uma brincadeira ali de momento, só uma maneira de extravasar, protestar contra o tédio, sem seriedade nenhuma. Aí juntei esses dois acontecimentos mais o filme que eu tinha assistido há um ano atrás, Na Natureza Selvagem, um filme que mudou minha vida, que ajudou a construir mais um degrau desse espírito viajante, e um degrau dos mais altos. Ainda entrou nessa mistura o livro O Estrangeiro, de Albert Camusque também influenciou-me bastante... Além de tantos outros...

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             (...) Fazia um dia lindo quando saí para comprar o jornal e procurar nos classificados uma Kombi, meu primeiro carro, lamento decepcionar os mais vaidosos. Vi uns cinco anúncios, olhei duas e fiquei com a segunda. Feitas as negociações no outro dia, meu pai, que estava me ajudando, saiu dirigindo a Kombi na frente e eu e Thiago Nuts atrás, que já ia tirando umas fotos dela, no carro de minha mãe. Já na segunda curva, quando meu pai entrou na avenida, ele dá sinal para a direita e encosta o carro. Parei na frente e esperei um pouco. Lembro do frio na barriga desse momento e uma vontade de rir enorme ao mesmo tempo. Caralho... Isso é para testar? Será? Que seja... Meu ponto forte é não desistir.

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           (...) Muitos me perguntam por que Clarice e, sim, é por causa dela, Clarice Lispector. Fácil entender por que:

“Suponho que me entender não é uma questão de inteligência
e sim de sentir, de entrar em contato...

Ou toca ou não toca”










Seja um Santos Dumont em sua alma
Suba no monte
Faça ela voar
Tem um monte delas presas,
presas fáceis para o sistema

Não tema!!

Escolha bem o seu rei:
Um outro qualquer
ou você mesmo

Vá, arrisque
Não corra o risco de sua vida escorrer pelo ralo
De escorrer pelos dedos
Não seja só mais um dado
Um CPF e uma foto 3x4
Não morra tão cedo
Viver não é só respirar

Isso é só o começo
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À venda nas livrarias ou pela internet:






sexta-feira, 23 de agosto de 2013

Vivemos em um mundo de aparências
Chamar a atenção parece ser uma questão de sobrevivência... E só
Independente do que seja, de quem quer que tenha que passar por cima
Assim o mundo gira e gira junto minha cabeça

No meu quarto
Escrevo meus versos
Vivo em outro Universo...




O da essência


Alice Ruiz

o corpo cede
letras se sucedem
um verso doido aparece

morrem todas as sedes
movem-se pedaços de preces
sobe-se por onde se desce

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tem os que passam
e tudo se passa
com passos já passados

tem os que partem
da pedra ao vidro
deixam tudo partido

e tem, ainda bem,
os que deixam
a vaga impressão
de ter ficado

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alguma vez
                    você já disse
eu queria morrer
                            agora
e não era o tempo
e não era você
e todo mundo
                       já tinha
                                    ido embora?

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a folha faz barulho
tenha ou não letras

já o silêncio faz ver
todas as coisas pretas

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não se escandalize

tudo isso
a gente pensa
quando entra
em transe
quando sai
da crise

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um signo que sonho
um sonho que sim
assim fico
imagem gêmea de mim

terça-feira, 20 de agosto de 2013

No meu Universo interior
De todas as estrelas
A que mais brilha é você

Uma espécie de sol
Banhando um planeta de luz
Habitado por um bilhão de almas minhas

Agora, ficou até mais fácil fazer poesia:
basta eu olhar para o céu
Ficou até pequeno, o papel,
para tantas inspirações,
para tantas linhas

E o planeta,
terá seu nome
Astrônomo dedicado que eu sou,
uma nova descoberta minha...



O meu velho Universo em harmonia

domingo, 18 de agosto de 2013

Realmente, eu não caibo nessa sua casa tão arrumada
Tão cheia de poeiras escondidas, e não espalhadas, pelos cantos

Realmente, gosto das coisas fora do lugar
Gosto da liberdade de ser o que tem que ser,
E não o que a convenção pediu... Ou mandou

Ou o receio de desagradar...

A mim, não

Comigo, não

Gosto é da bagunça
Mas, a sincera...
É mais sincera que o seu tapete caro que veio de algum lugar muito longe
A esconder sentimentos embaixo dele


Por isso,
não é qualquer coração

que me disponho a morar

sábado, 17 de agosto de 2013

Meu caríssimo Campos de Carvalho,

                Quem diria que, depois de tanto tempo sem te escrever, eu iria retornar a enviar-lhes cartas, mesmo que nunca tenha te enviado nenhuma antes? Afinal de contas, você está morto. Mas, vira e mexe, pego-me relendo as velhas palavras loucas, filosóficas, poéticas, bêbadas, sem sentindo nenhum, a não ser um sentido só nosso, endereçadas a você, meu melhor amigo, sim, isso mesmo, um sujeito falecido, respondendo a você que está se perguntando exatamente isso agora. Outro dia, meus olhos encheram de lágrimas, e peguei a me perguntar: Onde estará meu amigo? Sim, claro, você ainda está no mesmo lugar (ou não), que eu nem sei onde é. Mas imaginei isso ser loucura de minha cabeça, onde já se viu, ser amigo de um morto (Uma vez ainda vai... Mas duas?)... “Eu não sou louco, eu não sou louco”, tentava eu convencer a mim mesmo e, ainda bem, foi em vão.
                Fato é que, na minha solidão, no meu quarto, agora há pouco (falta pouco para eu transformar esses pouquíssimos metros quadrados em um hospício, se já não o é, de um paciente só, por que não?, o quarto é meu, faço dele o que quiser), estava eu a derramar lágrimas (mais uma vez) por alguém, que eu não sabia quem era, faz tempo que choro por alguém que não sei quem é, talvez seja por mim mesmo, vai saber, quando lembrei-me do dia que te conheci. Por que será? Aí já foge às minhas forças responder, nem é isso que importa. Mas encantou-me o fato de, ao lembrar desse dia, meus pelos anunciarem o quanto essa memória ainda está viva dentro de mim. Lembrei-me logo das velhas cartas, tão prazerosamente escritas (Agora lembro-me bem porque deixei de te escrever, elas estavam ficando doloridas demais, e fiquei com receio de você morrer, ou adiantar sua morte, por ler tanta dor, dado que você tem uma queda por essas coisas, pelo menos foi a impressão que me causaste, mesmo estando morto) e fui para o computador com uma missão mais importante do que capturar o pior dos terroristas do planeta Terra: sentei em minha cama, de frente para o monitor, no meu hospício (acabo de transformá-lo, definitivamente, e vai ter seu nome), e procurei seu livro “A Lua Vem da Ásia”. Ao levantar a cabeça e olhar pela minha janela, vejo a lua em minha frente, que não sei se veio da Ásia, confesso, dado a, tanto quanto você, não ter sido bom em geografia, mas para um louco solitário, isso é coincidência o suficiente para enganar meu cérebro e encher, mais uma vez (Puta que pariu), mais uma vez lembrando de você, meus olhos de lágrimas. Logo comecei a devorar seu livro, o primeiro que li, o que me apresentou a você. Não sei se você lembra, faz tanto tempo, mas faço questão de relembrar como foi que cheguei até esse seu livro, até mesmo porque não tenho mais sobre o que falar, não tenho sono (como nunca tivemos) e preciso conversar com alguém... Suponho ter tempo de sobra para ler essas inúteis palavras de uma loucura um tanto útil (pelo menos para mim... E isso basta... Como seus livros foram pra você, e para mim também... A sintonia).

                Uma hora da manhã, terça-feira, chego à pensão que morava em São Paulo, quando me deparo com um novo colega de quarto. Em menos de cinco minutos, parecíamos amigos há mais de um século, visto que ele era artista, e eu tenho uma queda abismal por esses loucos, até arrisco uns rabiscos e uns acordes também, não por dom, mas para homenageá-los, sobretudo. Eu ia trabalhar no outro dia e já estava um tanto bêbado, mas a conversa foi tão interessante, que só fui dormir às 4:00h. No meio dessa conversa, eis que surge seu nome, meu querido amigo, sabes bem que é sincera a minha felicidade ao lembrar desse dia tão importante em minha vida, por isso faço questão de rescrevê-la.
                O já meu amigo, a essa altura há mais de dois séculos, ator, encenou um número justamente de um trecho desse livro seu, A Lua Vem da Ásia. Ele tinha mencionado seu nome antes, mas eu não o conhecia, passou batido. Mas quando ele acabou o número, fiz questão de perguntar e, sobretudo, anotar: como é mesmo o nome desse cara? Sim, meu caro, era você. Encantou-me tanto, que no outro dia fui à biblioteca atrás desse livro seu. Encantou-me mais ainda, depois que acabei de lê-lo, que fui à livraria comprar tudo que você tivesse escrito. E eis que volto a te escrever, faz tanto tempo, e relendo seu livro, posso sentir o tamanho da saudade. Meu querido amigo, como sua imaginação vai longe, mais longe que a lua, muito mais, e com que habilidade de sentir e de fazer sorrir. Que profundidade. Que humano. Mesmo depois que deixei de te escrever, a gente sempre soube: nunca deixamos de ser amigos. Era só uma questão de tempo. Tive que fazer umas loucuras por aqui, andei muito ocupado: saí do meu emprego concursado, comprei uma Kombi, pintei poesia por toda sua lataria, além de um sorrisão, viajei por seis meses e acabei de escrever um livro sobre essa viagem (tão interior, quanto exterior)... Você pode imaginar, ou pode até ter visto, vai saber, o trabalho que deu. Eis que, interno-me novamente no meu quarto, por conta própria, eu mesmo me acusei de está em estado normal, pelo fato de não ser normal do jeito deles, até eu bolar um jeito de fugir novamente, e voltar a ser livre. Na minha solidão, paro e penso em um amigo para escrever o que gostaria de escrever numa carta: mais uma vez, pensei em você. Com o perdão a todos os meus amigos vivos, amo todos vocês, mas é que você, simplesmente, é você... Tem algo da sua loucura, da sua angústia, dos seus momentos insones, presentes em mim... Onde já se viu escrever carta para um morto? O que tem, você que já escreveu carta para si mesmo, fora todo o resto, tão louco quanto?... Que saudade de você... Que saudade de escrever para você... Prometo voltar logo com outras notícias do meu pequeno hospício, e do hospício lá fora.

Forte abraço (daqueles devagar para não desmanchar os ossos, é só a força da expressão),

A.A.

sexta-feira, 16 de agosto de 2013

Quando criança,
era apenas a angústia e eu...

Mas, agora, são tantos eus,
que minha angústia deixou de ser criança

Um monstro sem contos de fadas

E eu, ainda criança, todos os dias,
tenho que domar essa fera para dormir



E cadê você,

para me contar histórias?

Tuas...





Estou cansado de fadas...

quarta-feira, 14 de agosto de 2013

De vez em quando, 
pelas pedras do caminho, 
nascem umas flores

E todas as dores, 
parecem querer voar...


De alegria!!!
Escrever é escalar montanhas, altas montanhas

Tão altas que nem o monte Everest ousa chegar perto

Montanhas profundas

Mais profundas que o mais fundo de todos os mares
Tire-me o sono
Multiplique meus sonhos
A ansiedade
A angústia
O querer demais...

Tire minha paz...

Por você,

Até ela já não me importa mais
E se você é incapaz de ouvir o meu silêncio
Não perca tempo me cobrando, reclamando...

Seu lugar não é, 
de fato,

ao meu lado

domingo, 11 de agosto de 2013

Era uma vez o Ponto, o que sempre dormia no ponto
Ele era amigo do Travessão, o travesso que queria sempre estar na frente
O Travessão era afim da Interrogação, a que sempre perguntava: que horas são?
Já a Interrogação, sempre pontual, gostava do Ponto
Mas o Ponto gostava era da Exclamação
Ele vivia falando para ela que formariam um belo par, que ele até se via um pouco nela
Mas ela gostava era do Travessão,
o mesmo que sempre perguntava para a Interrogação:
- Por que não?
Não. Além de pontual, ela era certinha
O travesso Travessão, dessa vez, ficou na mão
Mas aproveitou e chamou a Exclamação para dar uma voltinha

E o Ponto, que deveria dar continuidade à história,
dormiu no ponto mais uma vez

Só que, dessa vez,

o ponto foi final...

Notas

             Aqui é assim: você nasce e já tem uma vida programada, para a máquina poder funcionar. Somos peças, bem encaixadinhas, seja você de direita ou de esquerda. É a mesma jogada, de maneiras diferentes. O importante é a máquina funcionar. E esse meu coração que insiste em bater... Como eu queria que tivesse postos como tem para os carros, onde pudéssemos abastecer nossas almas de amor... Facilitaria para muitas pessoas... Mas até falar de amor, soa estranho em um mundo de máquinas...


Encha o tanque, por favor!!

sábado, 10 de agosto de 2013

Estações

Na janela
Madrugada
Esperando,
há um tempo,
abrir
a janela
de mais uma dor

Só que essa, é daquelas:
A mais foda de todas





Mas já consigo sorrir
Já sinto a mudança de estação
Já sinto a lembrança de estar são...

Até a próxima dor

Dessas,
daquelas bem fodas

Mas já passou
Agora, é outra hora

Já sinto o fim do inferno
Já sinto o fim do inverno

Já posso sentir


até o cheiro das flores...



E a previsão
A primavera
É daquelas:

A mais foda de todas

terça-feira, 6 de agosto de 2013

A poesia não está no papel

Está nas ruas,
nos gestos,
na natureza,
nas atitudes...

Em todo lugar

Passar a poesia para o papel
É o que faz alguns poetas
Mas ela, em si, sua essência,
está em qualquer lugar...

Se quiser ver,
nem precisa saber escrever...
muito menos, ler...

Basta saber apreciar!


E você também será um poeta

Não um poeta de papel...


Mas um poeta de olhar

sábado, 3 de agosto de 2013

Quando nasceu minha dor

Essa dor de saber que a dor é inevitável
Essa dor de saber que esse ser tem um coração desregulado
E que enxerga que muitas dores poderiam ser evitadas...

Cuidei dela, como de uma filha cuidaria
Ou como cuidaria, da amada companhia
Brigamos muitas vezes, é claro
Quantas vezes chorei, desesperei?
Mas, quantas vezes, também, ensinaste-me a perdoar?



E o tempo passou...



Hoje,
é ela quem cuida de mim...

Ensinou-me até a fazer poesia

Foi ela que me deu coragem para largar meu emprego seguro,
e sair viajando, seguro de que, muitas coisas, eu aprenderia
Deu-me forças até para escrever livros
Sábia dor, sábia agonia

Ensinou-me tudo, sobretudo, a amar
Coisa que parece rara,
nessa era de tanta tecnologia

Amada dor...
Nessa arte de amar,
já não sou tão amador
Foi só eu aprender a lidar
Aceitei você do jeito que és
Parte inevitável da vida

E, apesar de ter reclamado tanto, tantas vezes, tantos dias...
Era tudo raiva
Você mesma sabia que até eu mesmo sabia
Era porque a ferida ainda ardia
E ainda arde
E sempre arderá

Mas, agora, é diferente
Quando estou chorando,
agora eu sei:
não vens para me fazer mal
Pelo contrário,
é para me fazer companhia

Foi com você, amada dor
Que aprendi o que é a verdadeira alegria...

De viver

A dor, pode até ser só dor para alguns
Mas, para mim,
é a vida parindo alegria

É um casamento

Muitos não suportam

Pedem divórcio

E, de algum modo,
se acomodam

Ou  vão embora...


Amada dor, você bem sabe
Nunca te abandonei
Nunca me abandonastes...

Foi a única que me acompanhou todos os dias
Na saúde ou na doença
Na tristeza ou na alegria

Hoje, pego-me perguntando, devaneando, leve, sereno, fumando um cigarro:

- Querida dor... Sem você... O que será que eu seria?

sexta-feira, 2 de agosto de 2013