Ele estava achando bizarro
E eu estava achando bizarro
O fato dele estar achando bizarro
terça-feira, 31 de dezembro de 2013
domingo, 29 de dezembro de 2013
Clarice, minha menina, em um jornal de São Paulo: http://issuu.com/folhametronews/docs/metronews-11-11-13/27
Nas livrarias ou pela internet:
http:// www.livrariasaraiva.com.br/ produto/4896079
http:// www.livrariacultura.com.br/ Produto/LIVRO/ CLARICE-MINHA-MENINA/42125124
Nas livrarias ou pela internet:
http://
http://
quarta-feira, 25 de dezembro de 2013
Feliz Natal!!
Iludidos com o prazer superficial
que os bens materiais lhes trazem,
não enxergam a vida passar, a vida verdadeira,
a sentida,
a que eu sinto na pele o arrepio
quando ela vem me fazer companhia
Faça calor, ou faça frio
Em uma noite sozinha...
Eles não sabem o que é isso
Meus versos soam loucuras para
eles
Escondidos em seus sorrisos
disfarçados,
enquanto acham que estou “viajando”
,que meus versos são uma coisa passageira...
Sou sim,
passageiro dessa viagempor entre o líquido vermelho
passeiam letras,
inevitavelmente...
É uma condição...
É minha condução...
Que,
de vez em quando,passo para o papel
através de uma caneta
Ou um lápis...
Ou seja lá o que forCortaria meus próprios braços,
para escrever nas paredes,
com meu sangue,
caso não existisse mais nenhuma opção
Ah, se eles soubessem,
como é bom ser louconesse mundo de aparências
Eles também iam querer
enlouquecer
Eles também iam querer brincar de
viver de verdade
E esquecer um pouco mais
Desse negócio chamado dinheiro...
Não que ele não seja necessário
Falo é da falsidade a que são
capazes de se submeterem,sem perceberem muito bem o mal que isso faz
Muitos não são nem culpados, eu sei
E outros, fazem porque querem fazer...
É assim
Esse objeto que,
com razão,fui educado a lavar as mãos
depois de pegá-lo...
Mas a culpa não é dele,
como dizem ou acham por aíEle, apenas, tem uma função no sistema
Mas é tão sedutor, mas tão sedutor...
Que desviam seu caminho
O seu olhar
A sua direção
E quando o ser humano não assume
a culpa
Joga a culpa até em uma coisa que
não tem vida
- A culpa é do dinheiro!
E você vê de tudo,
em busca dessas notas que voam de
bolso em bolso...
Aí,
o mundo vira o caos que está...
E haja Natal, para o resto da
vida
Para, pelo menos, uma vez no
ano...
Eles respirarem
E voltarem, ao menos, por uns
dias
à verdadeira vida real...
Ainda que distante,
são esses os seus instantes
Para poderem dormir em paz os
restos dos dias do ano
E eu,
preciso disso todos os dias...sexta-feira, 20 de dezembro de 2013
Quando viajo de avião,
fico grudado na janela,feito criança,
em descobertas,
a paisagem do viajar...
O mistério do céu,
as nuvens...
Uma fresta considerável de amanhecer,
já avançado,já maduro
Mais para cima,
ainda escuro...
a noite
Dava até para ver estrelas
E eu,
a viajar...
Em descobertas
.
.
.
Não é por nada
É que quando viajo de avião
No ar,
voando,
eu me sinto em casa
terça-feira, 17 de dezembro de 2013
São Paulo do tráfego...
Amanhã, novo velho destino, nova viagem, recomeçar tudo outra vez...
Morar novamente em uma pensão, lavar roupa na mão, procurar emprego, ficar por lá por tempo indeterminado
Eis a próxima etapa
Assim é a vida, e eu nunca corri fora...
E nem nunca reclamei...
Se está sendo assim,
é porque assim é que é...
Assim foi eu que fiz
Se fosse para reclamar,
eu só poderia reclamar com uma pessoa:
eu mesmo...
Mas não:
todos os dias eu me agradeço por essa vida
Não importa o que eu precise fazer...
O que importa é que estou no meu caminho
Retrocesso?
Depende de como cada um encara
Para mim,
é tudo um processo...
de aprendizado...
Experiências de vida?
É comigo mesmo...
Nunca julgo o lugar, o conforto, se antes era melhor, se não era... Nada!!
O que me importa, é que estou andando...
O que me importa, é que, no momento, tem que ser lá
Só eu sei:
estou no meu lugar...
E meu lugar,
sempre foi
o lugar nenhum...
O resto,
é só o cenário
para enfeitar
essa minha história...
O que engrandece, cada vez mais, o que me interessa, a minha verdadeira estrada, o meu verdadeiro conforto...
é o meu espírito
E ele está em uma ultra-mega-hiper paz...
---------------------
São Paulo do tráfego
E um sergipano andando a pé
Desço a Consolação e na esquina da Maria Antônia paro e tomo um café
Depois subo pela Augusta, entro na Peixoto Gomide até chegar na rua Itararé
Uma menina me espera lá
No quinto andar, vou flutuar
Enquanto carros, stress e buzinas disputam espaço
Só ouço sua voz, só vejo teu riso, só sinto teus abraços
De volta à Haddock Lobo, minha morada, na minha janela
Acendo um cigarro e continuo pensando nela
Logo depois, logo ali, na Av. Paulista
Próximo da esquina onda Alice Ruiz se perdeu de vista
Passo por um senhor que toca Chico Buarque em sua sanfona surrada, com seu chapéu no chão
Te deixo uns trocados e pego o metrô Consolação
Desço na Luz e não penso mais nela
Um minuto de silêncio, estação Pinacoteca
Onde meus heróis foram presos e torturados até a morte
Vivo no séc. XXI, sem saber se tenho azar ou sorte
Não existe mais Henfil, Marighella, Vladimir Herzog
Respiro fundo, sigo em frente, preciso ser forte
E vou prestando atenção em suas crianças, São Paulo
De vez em quando ganho um sorriso e isso é tão raro
São tantas ruas, tantos lugares, tantos bares, tantas esquinas
Impossível te descrever em poucas linhas (e já são tantas)
Av. Angélica, Av. do Estado, Av. Tiradentes, Nove de Julho, Vila Carrão, Tatuapé...
Passo também pelo seu coração
Bêbados, artistas, loucos e trabalhadores se misturam na praça da Sé
Paro na esquina da Ipiranga com a São João e peço uma cerveja
Enquanto, ao meu lado, falam mal de você com tanta firmeza
Esse contraste, esse paradoxo, é que faz tua beleza
São Paulo de amor e ódio, quem sou eu para te julgar?
Mas um sergipano nunca vai te esquecer...
Tenha certeza!
Morar novamente em uma pensão, lavar roupa na mão, procurar emprego, ficar por lá por tempo indeterminado
Eis a próxima etapa
Assim é a vida, e eu nunca corri fora...
E nem nunca reclamei...
Se está sendo assim,
é porque assim é que é...
Assim foi eu que fiz
Se fosse para reclamar,
eu só poderia reclamar com uma pessoa:
eu mesmo...
Mas não:
todos os dias eu me agradeço por essa vida
Não importa o que eu precise fazer...
O que importa é que estou no meu caminho
Retrocesso?
Depende de como cada um encara
Para mim,
é tudo um processo...
de aprendizado...
Experiências de vida?
É comigo mesmo...
Nunca julgo o lugar, o conforto, se antes era melhor, se não era... Nada!!
O que me importa, é que estou andando...
O que me importa, é que, no momento, tem que ser lá
Só eu sei:
estou no meu lugar...
E meu lugar,
sempre foi
o lugar nenhum...
O resto,
é só o cenário
para enfeitar
essa minha história...
O que engrandece, cada vez mais, o que me interessa, a minha verdadeira estrada, o meu verdadeiro conforto...
é o meu espírito
E ele está em uma ultra-mega-hiper paz...
---------------------
São Paulo do tráfego
E um sergipano andando a pé
Desço a Consolação e na esquina da Maria Antônia paro e tomo um café
Depois subo pela Augusta, entro na Peixoto Gomide até chegar na rua Itararé
Uma menina me espera lá
No quinto andar, vou flutuar
Enquanto carros, stress e buzinas disputam espaço
Só ouço sua voz, só vejo teu riso, só sinto teus abraços
De volta à Haddock Lobo, minha morada, na minha janela
Acendo um cigarro e continuo pensando nela
Logo depois, logo ali, na Av. Paulista
Próximo da esquina onda Alice Ruiz se perdeu de vista
Passo por um senhor que toca Chico Buarque em sua sanfona surrada, com seu chapéu no chão
Te deixo uns trocados e pego o metrô Consolação
Desço na Luz e não penso mais nela
Um minuto de silêncio, estação Pinacoteca
Onde meus heróis foram presos e torturados até a morte
Vivo no séc. XXI, sem saber se tenho azar ou sorte
Não existe mais Henfil, Marighella, Vladimir Herzog
Respiro fundo, sigo em frente, preciso ser forte
E vou prestando atenção em suas crianças, São Paulo
De vez em quando ganho um sorriso e isso é tão raro
São tantas ruas, tantos lugares, tantos bares, tantas esquinas
Impossível te descrever em poucas linhas (e já são tantas)
Av. Angélica, Av. do Estado, Av. Tiradentes, Nove de Julho, Vila Carrão, Tatuapé...
Passo também pelo seu coração
Bêbados, artistas, loucos e trabalhadores se misturam na praça da Sé
Paro na esquina da Ipiranga com a São João e peço uma cerveja
Enquanto, ao meu lado, falam mal de você com tanta firmeza
Esse contraste, esse paradoxo, é que faz tua beleza
São Paulo de amor e ódio, quem sou eu para te julgar?
Mas um sergipano nunca vai te esquecer...
Tenha certeza!
segunda-feira, 16 de dezembro de 2013
sexta-feira, 13 de dezembro de 2013
quinta-feira, 12 de dezembro de 2013
Recife - PE
Da
rodoviária, pegamos um ônibus, e descemos na Av. Conde de Boa Vista, cidade de
Recife. O hotel ficava no final da avenida (ou início), em frente ao rio
Beberibe, esquina com a rua Aurora. Quando esse amigo convidou-me para essa
viagem, ele não cansava de repetir: vou te levar na praça onde está a estátua
de sua menina, sua amiga Clarice... E ria...
Essa
região que nos hospedamos, foi onde Clarice deu seus passos em sua infância e início
de sua adolescência, antes de ir morar no Rio de Janeiro, já com seus quinze
anos. Ruas onde ela morou, estudou e, sobretudo, viajou... Assim como eu, mais
de oitenta anos depois de sua passagem por lá.
Perdão, querida, por chegar assim tão
atrasado, mesmo não marcando horário nenhum contigo... A eternidade precisa de
relógio? Mas conforta-me teres deixado palavras tão minhas, tão almas, tão
acolhedoras, para quem tem uma alma... tão assim. Sim, assim mesmo, essa é a
definição.
Passeando pela Rua Nova, pela Av. Conde de
Boa Vista, pela rua Aurora, pela praça Maciel Pinheiros... Passando pela frente
do ‘Ginásio Pernambucano’, tive saudade de alguém que não conheci... Chorei por
alguém que não abracei... Senti alguém próximo de mim, mesmo ela não estando lá
há tanto tempo... Coisas da alma... Como poderia explicar? Não sei... A única
coisa que sei, é que não tem explicação... O que me resta é, apenas, sentir...
Claro,
andei por outras ruas também... No sábado à tarde, saí para rever um amigo, uma
amizade de 31 anos. Ele viu-me pela primeira vez, quando eu ainda estava nos
meus primeiros dias de vida. Fazia uns dez anos que não sentávamos para tomar uma cerveja. Nesse mesmo dia, ao voltar para o hotel, eu e o
senhor que me levou para essa viagem, nos desencontramos. Já era noite e saí
andando pelas ruas do Recife Antiga, sem conhecer quase nada, até chegar no Marco Zero. Comprei uma
cerveja, já estava pra lá de embriagado, sentei com os pés quase tocando a água, acendi um cigarro, e fiquei
horas por lá, viajando e vendo o mar... Que viagem!! Clarice e eu a dialogar,
em silêncio... E o barulho quase silencioso do balanço das águas...
"Renda-se como eu me rendi
Mergulhe no que você não conhece,
como eu mergulhei
Não se preocupe em entender...
Viver ultrapassa qualquer entendimento"
Mergulhe no que você não conhece,
como eu mergulhei
Não se preocupe em entender...
Viver ultrapassa qualquer entendimento"
terça-feira, 10 de dezembro de 2013
Não importa o que você me dá
Ou o que você me diz
Pode ser algo que não preciso
Ou algo que já sei
Algo que eu não goste
Ou que não preciso ouvir
Não importa
O que me importa
é a sua intenção
Se for boa, seja o que for,
receberei com carinho,
ouvirei com atenção
Se não,
um riso irônico,
e a paciência de um irmão
E transformo a falsidade...
.
.
.
em diversão
Ou o que você me diz
Pode ser algo que não preciso
Ou algo que já sei
Algo que eu não goste
Ou que não preciso ouvir
Não importa
O que me importa
é a sua intenção
Se for boa, seja o que for,
receberei com carinho,
ouvirei com atenção
Se não,
um riso irônico,
e a paciência de um irmão
E transformo a falsidade...
.
.
.
em diversão
10.12.13 - Clarice Lispector faria 93 anos
"Mas como adulto terei a coragem infantil de me perder?"
"Eu já havia conhecido anteriormente o sentimento de lugar. Quando era criança, inesperadamente tinha a consciência de estar deitada numa cama que se achava na cidade que se achava na Terra que se achava no Mundo. Assim como em criança, tive então a noção precisa de que estava inteiramente sozinha numa casa, e que a casa era alta e solta no ar, e que esta casa tinha barata invisíveis."
"A primeira ligação já se tinha involuntariamente partido, e eu me despregava da lei, mesmo intuindo que iria entrar no inferno da matéria viva - que espécie de inferno me aguardava? mas eu tinha que ir. Eu tinha que cair na danação de minha alma, a curiosidade me consumia."
"[...] Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam os que saem para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser gritante."
Do livro "A Paixão Segundo G.H"...
"Eu já havia conhecido anteriormente o sentimento de lugar. Quando era criança, inesperadamente tinha a consciência de estar deitada numa cama que se achava na cidade que se achava na Terra que se achava no Mundo. Assim como em criança, tive então a noção precisa de que estava inteiramente sozinha numa casa, e que a casa era alta e solta no ar, e que esta casa tinha barata invisíveis."
"A primeira ligação já se tinha involuntariamente partido, e eu me despregava da lei, mesmo intuindo que iria entrar no inferno da matéria viva - que espécie de inferno me aguardava? mas eu tinha que ir. Eu tinha que cair na danação de minha alma, a curiosidade me consumia."
"[...] Se eu gritasse ninguém poderia fazer mais nada por mim; enquanto, se eu nunca revelar a minha carência, ninguém se assustará comigo e me ajudarão sem saber; mas só enquanto eu não assustar ninguém por ter saído dos regulamentos. Mas se souberem, assustam-se, nós que guardamos o grito em segredo inviolável. Se eu der o grito de alarme de estar viva, em mudez e dureza me arrastarão pois arrastam os que saem para fora do mundo possível, o ser excepcional é arrastado, o ser gritante."
Do livro "A Paixão Segundo G.H"...
Linda demais!!
Fotos (com exceção da primeira): Cecília
Garcia
segunda-feira, 9 de dezembro de 2013
sexta-feira, 6 de dezembro de 2013
quinta-feira, 5 de dezembro de 2013
Rio de Janeiro - Final
Depois
de cinco dias tentando as opções que eu tinha para ficar no Rio, nada deu
certo. Momento duro de indecisão, já que eu tinha ido para ficar e iria voltar
em tão pouco tempo, caso eu decidisse realmente voltar. Mas ficar seria um
risco grande, envolveria ter que usar grana de meus pais, que, diga-se de
passagem, não tem sobrando. Se fosse para procurar um emprego e um lugar mais
barato para morar, teria que ser feito de outra forma, agora já não dava mais
tempo. Porém, eu poderia tentar. Arriscar? Arriscado? Essa dúvida pairou
incessantemente sobre minha cabeça. Dias angustiantes. Sempre vinha à minha mente
o fato de ser um lugar interessante para o que estou buscando. Mas nem tudo
pode ser feito de qualquer jeito, não gosto de envolver outras pessoas financeiramente.
Porém, correr riscos, não é tão difícil para mim... Um milhão de interrogações.
Até então, uma conclusão passava ao longe. E, minha linha de raciocínio, tinha
dado um nó.
Até
que, vendo que a certeza do que eu deveria fazer, a decisão certa, fugia ao meu
alcance, aproveitei o visual do lugar onde eu estava, lá no alto, onde dava
para ver os prédios do bairro de Botafogo lá embaixo, além das costas do Cristo
lá em cima, para, simplesmente, relaxar. Dei voltas por ruas desconhecidas e estava
lendo o livro “Os miseráveis”, de Victor Hugo, que estava tocando minha
essência de forma genial... Deixei, apenas, rolar. Dei-me um prazo, de mais
três dias, para resolver essa situação. Se nada acontecesse, provavelmente eu
voltaria ou, se eu mudasse de opinião, teria esse tempo para decidir. Enquanto isso,
eu descia para a praia, e ia vender meus livros, onde a maioria das pessoas
passava indiferente. Outro dia, fiz diferente, e saí andando pela areia,
oferecendo aos cidadãos que se encontravam sentados em suas cadeiras de praia,
ou na areia mesmo, conversando, bebendo, se divertindo e/ou se bronzeando. Claro,
isso ajudou para me manter mais esses dias. E relaxando, aos poucos, os
problemas foram ficando de lado.
Até
que uma paz indescritível foi se fazendo dentro de mim. Quando eu pensava que tinha
que tomar uma decisão difícil, não era mais a angústia que tomava conta de mim,
e sim, um sorriso leve, delicioso, acompanhado de cócegas em minha barriga, como
se minha alma dissesse para mim: “Isso é vida, meu caro. Não há vida sem
dúvidas... Não tenho dúvida”. A cada hora do dia que passava, eu sentia essa
paz penetrando meu corpo. “Não se cobre tanto... Se não for agora, será de
outra vez... Cadê aquela sua leveza sobre as coisas da vida, que você meso diz,
quando se faz algo com amor? Nenhuma decisão é errada. Apenas pode-se adiar
alguma coisa, e, mesmo se não for a melhor decisão, ainda assim, sei que
aprendeu coisas maravilhosas... Toda essa experiência, a viagem desde à Bahia,
até os acontecimentos no Rio, o trabalho no quiosque, o reencontro com um bom amigo
que não via há um bom tempo, as novas amizades, pessoas de outros países, a
experiência de vender poesia na praia, em um lugar que, há pouco, era
totalmente desconhecido para você... Tudo isso, está sendo impressa em sua
bagagem de vida, então, relaxe e siga sua intuição... Qualquer decisão é
válida”... Foi isso que minha alma sussurrou em meus ouvidos, calmamente, com
um ar de sapiência, como se soubesse exatamente do que estava falando... Ela,
já leve, apenas gozava... E eu gozava esses momentos totalmente novos em minha
vida.
O
número 22, o número que me acompanha desde a viagem com Clarice, não parava de
aparecer... Apareceu mais do que qualquer outro momento de minha vida. Mais uma
vez, não tomo isso como uma ciência, apenas, uma brincadeira, que está cada vez
mais séria... Mas sempre uma brincadeira... Será que era um sinal para eu ficar
ou para eu ir embora? Isso já não me importava mais. Se ele estava querendo me
dizer alguma coisa, eu interpretava que era, apenas, que eu estava no caminho
certo. E do sábado para o domingo (o dia em que eu teria que comprar a passagem),
fui dormir na santíssima paz.
Há alguns meses, antes dessa viagem, eu sentia
que minha alma estava pesada, apesar das coisas boas estarem acontecendo... Mas
ainda não estava 100%, e eu estava angustiado. Quando decidi ir para o Rio,
meio na loucura, foi justamente em busca dessa paz e, até não ter encontrado
essa paz, era o que mais pesava sobre a minha decisão de voltar. Mas depois que
minha alma renasceu, em terras cariocas, foi que eu entendi: minha alma
precisava parir, mais uma vez, e era no Rio a maternidade desse novo
nascimento. Voltando ou ficando, eu já tinha resolvido o que eu estava querendo
resolver. Junto com tudo isso, com todas as experiências que passei, também senti-me
mais preparado e cheio de ideias para escrever um romance, algo que eu sempre
quis e que sentia ainda não estar pronto. Claro, ainda vou desenvolver
bastantes coisas, aprender muita coisa, mas, dentro de mim, eu já senti que ele
nasceu... Essa renovação, trouxe-o junto.
Antes
de viajar, eu também estava em dúvida se contratava ou não um agente literário,
já que eu estava sem grana, para divulgar o livro. Mas com essa leveza
adquirida, sem pestanejar, usei meu cheque especial para assim fazer. Sem medo,
pensei: depois eu recupero a grana. Era a minha intuição comandando a parada e,
quando a decisão vem com cócegas na barriga e com essa leveza profunda, eu me
rendo: é preciso correr o risco. E, com certeza, eu mergulhei nessa idéia, justamente,
por ter ido para o Rio... Mais uma coisa boa que essa viagem me trouxe. Não
era, necessariamente, para ficar... Voltei, e iniciou-se uma nova etapa, a da
divulgação mais abrangente do livro. E, alguns frutos já vêm aparecendo, como
em um jornal de Porto Alegre, em um jornal de Teresina, um blog de Joinville e
em um site da internet especializada em livros... E ainda virá mais. E, se não
vier, já foram dados mais alguns passos importantes, não tenho pressa... Não
quero resolver tudo de uma vez, não quero chegar lá logo... Nem sei, na
verdade, onde quero chegar... A única coisa que eu preciso, é sentir que a
minha vida, abraçada com minha essência, esteja andando... E disso, eu não
posso reclamar.
Como diria um dos meus mestres, Raulzito:
“É chato chegar a um objetivo num instante...
Eu quero viver essa metamorfose ambulante”
Dez
dias depois, ganhei uma viagem maravilhosa de presente, para Maceió e Recife.
Visitei algumas livrarias e pude divulgar mais meu livro, em outros estados. Essa
viagem surgiu assim, meio que do nada... Ou será o universo conspirando? Como
sou um simples mortal e não sei responder com certeza, eu vou seguindo minha intuição
para ver se as repostas aparecem. E posso garantir: os resultados têm me
alegrado bastante... Não falo de vendas especificamente, que também estão
aparecendo, mas, sobretudo, falo da vida.
Para
concluir, repito um texto já publicado, quando recebi o convite para viajar
para Maceió, viagem que já foi concluída... Só para manter a ordem dos
acontecimentos... Nele, algumas linhas sobre minha volta do Rio:
Fui
para o Rio de Janeiro, há pouco tempo atrás, com a intenção de ficar, mas o
vento, assim como soprou para eu ir, dez dias depois, soprou para eu voltar...
E voltei... Sem crise, muito pelo contrário, com muita paz. As coisas que
“deveriam” acontecer para eu permanecer lá, não aconteceram. Não fiquei triste,
não reclamei, nem analisei... Apenas, obedeci. Lembrei de Leminski, que,
inclusive, tem esse “poeminha” dele, no meu livro: “Não discuto com o destino /
O que pintar / Eu assino”. Conheci pessoas interessantíssimas, plantei sementes
vendendo alguns livros e voltou aquela tão almejada paz, que eu estava sentindo
tanta falta... A ressurreição. E ainda nem deu nem tempo de eu escrever sobre
essa última parte de minha estadia no Rio, até a minha volta, e hoje recebo um
telefonema, sendo convidado para ir para Maceió, na quinta, e para Recife, no
Sábado... Uma viagem de presente. Detalhe: esse amigo eu conheci durante a
viagem com Clarice, quando permaneci um mês em Campos dos Goytacazes, no Rio,
em uma república que fui parar meio “por acaso”, devido ao motor da Kombi que
quebrou e precisou ser desmontado e fui obrigado a ficar lá um tempinho a mais.
Além disso, poderei visitar outro amigo, que hoje está em Olinda (vizinho de Recife), que dei carona, do norte do Espírito Santo até Itabuna, na Bahia, também durante a viagem com Clarice. Esse cara, que se fantasia de palhaço quando vai trabalhar na rua (e que estava com o nariz de palhaço quando me pediu carona), anda com livros meus, divulgando meu trabalho por aí. Os anjos em minha vida. Aliás, ele conheceu a atual companheira dele por causa de um livro meu, segundo ele mesmo... Artista de rua, artista da vida, faço questão de visitar o casal.
Quando fazemos o que amamos, de peito aberto, não sei o que é, não sei o que acontece, mas parece que as coisas vão se encaixando. Uns chamam de Deus, outros de coincidência, outros dizem que nada mais é do que seu esforço, outros dizem que é tudo junto... Para mim, não importa o nome da coisa... O que importa é a coisa... Não sou chegado em definições e, sim, em acontecimentos... Quem sou eu para dizer o que é isso tudo? Pode até não ser nada... Só sei que estou em paz...
Além disso, poderei visitar outro amigo, que hoje está em Olinda (vizinho de Recife), que dei carona, do norte do Espírito Santo até Itabuna, na Bahia, também durante a viagem com Clarice. Esse cara, que se fantasia de palhaço quando vai trabalhar na rua (e que estava com o nariz de palhaço quando me pediu carona), anda com livros meus, divulgando meu trabalho por aí. Os anjos em minha vida. Aliás, ele conheceu a atual companheira dele por causa de um livro meu, segundo ele mesmo... Artista de rua, artista da vida, faço questão de visitar o casal.
Quando fazemos o que amamos, de peito aberto, não sei o que é, não sei o que acontece, mas parece que as coisas vão se encaixando. Uns chamam de Deus, outros de coincidência, outros dizem que nada mais é do que seu esforço, outros dizem que é tudo junto... Para mim, não importa o nome da coisa... O que importa é a coisa... Não sou chegado em definições e, sim, em acontecimentos... Quem sou eu para dizer o que é isso tudo? Pode até não ser nada... Só sei que estou em paz...
quarta-feira, 4 de dezembro de 2013
Você diz que não entendo algumas coisas em você
E tem coisas que às vezes me foge mesmo,
nunca me apresentei como "o perfeito"
Mas o que você não entende
é que suas atitudes
atrapalharam-me de entender muitas coisas
Portanto,
a responsabilidade é dos dois
Mas quando o peso da responsabilidade se faz presente,
nem todos a suportam
Aí vem a insuportável hora do adeus
A sensação de que estamos acabando
algo que não teria fim
Mas, se tem que ser assim,
entendo perfeitamente
Em tudo que mergulho,
eu nunca tive medo do adeus...
Portanto...
Adeus!!
Esqueça o que te disseram
Sobre casa, filhos e televisão
É preciso sangue frio
E tem coisas que às vezes me foge mesmo,
nunca me apresentei como "o perfeito"
Mas o que você não entende
é que suas atitudes
atrapalharam-me de entender muitas coisas
Portanto,
a responsabilidade é dos dois
Mas quando o peso da responsabilidade se faz presente,
nem todos a suportam
Aí vem a insuportável hora do adeus
A sensação de que estamos acabando
algo que não teria fim
Mas, se tem que ser assim,
entendo perfeitamente
Em tudo que mergulho,
eu nunca tive medo do adeus...
Portanto...
Adeus!!
Esqueça o que te disseram sobre o amor (Herbert Vianna)
Desculpas é que eu não vou pedir
Pelo que quero e o que não quero fazer
Outro dia eu apareço
Enquanto isso vamos nos entender
Pelo que quero e o que não quero fazer
Outro dia eu apareço
Enquanto isso vamos nos entender
Esqueça o que te disseram
Sobre casa, filhos e televisão
É preciso sangue frio
pra ver que o sangue é quente
E que vai ser diferente
E que vai ser diferente
Vai ser diferente
Vai ser diferente
Vai ser diferente
Pode ser o que você nunca viu
Pode ser o que você tem na mão
Pode ser exatamente o que eu digo
E também pode não
Pode ser o que você tem na mão
Pode ser exatamente o que eu digo
E também pode não
Então esqueça seus sonhos
Esqueça as regras e a exceção
É mais real, cru e fascinante
É mortal, passível de ressurreição
Esqueça as regras e a exceção
É mais real, cru e fascinante
É mortal, passível de ressurreição
Vai ser diferente...
Vai ser diferente
terça-feira, 3 de dezembro de 2013
segunda-feira, 2 de dezembro de 2013
Era então minha essência
Sendo roubada
Derrubada e adubada
Com mentiras vis
Descaradas
Sim, eu vi...
Percebi
Senti na pele o arrepio da dor
A angústia rodopiando, dançando,
pelas minhas entranhas
Noites estranhas
Esse ser que não sabe ser outro ser,
além de mim
A vida perdendo cor
O mundo inteiro esperando o desfecho
Perfeito (a ilusão)
Feito como eu nunca quis
Assalto à mão desarmada
Com sorrisos no rosto
Roubaram o meu sorriso
Até que um dia eu me perdi
A criança adormeceu dentro de mim...
Preso atrás das grades da solidão
Era grande a confusão
A essência que fugia, longe...
Não via mais ninguém diante de mim
Nem a mim
Passei mal
Vomitei versos
Fui levado às pressas para o hospital:
Meu quarto escuro e fechado
Onde na porta estava escrito:
Proibido entrar aqui
Só músicas, livros e filmes...
De quem também foi condenado
A ser roubado
Por ser alguém além do que eles são
Apenas, por ser são
Anos desafiadores
Enfrentei minhas dores
E eis que estou aqui
Apesar dos horrores
Eis que estou são
Apesar de, ainda, algumas dores
Suas forças contra mim
São em vão
A insônia, antes inimiga,
virou companheira
A solidão,
antes malvada
Casou-se comigo...
Encontrei abrigo...
E mesmo com tudo pelo avesso
Agora brinco o tempo inteiro
Finjo que o mundo inteiro
É uma brincadeira que nunca acabou
A gente cresce e vão nos matando aos poucos
Mas, tudo que queremos,
é um dia matar tudo dentro da gente
Que nos anos correntes
Aos poucos nos matou
Renascer,
esse é o verdadeiro nascer
Até morrer,
passa a ser,
mais uma coisa que,
apenas,
faz parte da vida...
Nenhuma desgraça me atingirá
Lutarei pelos que precisam, assim como lutei por mim
E, quanto ao resto, o que foge ao meu alcance,
só me resta relaxar...
Assim,
sobra tempo
para a criança brincar
Minha essência abraçada comigo
A lágrima escorre pelo rosto
A vida agora tem outro gosto
Dói demais e, por isso,
nem todo mundo chega aqui
Preferem adormecer a dor
Tomando remédios
Para poderem dormir
Até entendo por serem assim
Mas eu, faço qualquer coisa,
para que minha alma viva
Mesmo que, em carne viva
Mesmo assim,
vivo feliz
Tocar minha essência,
custe o que custar,
é essencial para mim
domingo, 1 de dezembro de 2013
sábado, 30 de novembro de 2013
Bob Dylan
"Se quiserem me mandar alguma coisa, mandem-me uma chave - eu encontrarei a porta onde ela se encaixa, mesmo que procure até o resto da vida"
"Você já cheirou um nascimento? É por isso que eu sempre precisei seguir em frente quando algo novo estava acontecendo."
"Aprendi a escolher bem os meus ídolos
A ser minha voz e a contar minha história
E meu primeiro ídolo foi Hank Williams
Mais tarde meus ídolos caíram
Já que aprendi que eram apenas homens [...]
Mas com cada deus esquecido aprendi
Que o campo de batalha é apenas meu"
"Você já cheirou um nascimento? É por isso que eu sempre precisei seguir em frente quando algo novo estava acontecendo."
"Aprendi a escolher bem os meus ídolos
A ser minha voz e a contar minha história
E meu primeiro ídolo foi Hank Williams
Mais tarde meus ídolos caíram
Já que aprendi que eram apenas homens [...]
Mas com cada deus esquecido aprendi
Que o campo de batalha é apenas meu"
sexta-feira, 29 de novembro de 2013
quarta-feira, 27 de novembro de 2013
Não é jogando fora os freios
que se chega mais longe
Não é só o acelerar
que vai te fazer chegar lá
antes que todos
A estrada tem curvas,
buracos,
surpresas,
surpresas,
desvios...
A esperteza,
não está em impressionar
por ser o mais rápido
A beleza está,
apenas,
em chegar no lugar almejado
E para tal,
tanto quanto acelerar,
saber frear
Não é perda de tempo
É que o ganho,
só depois virá
Apressados, impacientes e vaidosos,
isso os confundirá...
E não concordarão
Só depois que passar reto em uma curva
Ou um pneu furado
Eles entenderão...
Ou, a depender do tamanho da vaidade...
Não!!
Os espertos, os verdadeiros, os legítimos...
Um dia os passam, na boa, na sua, calado, sorrindo
Os que se acham esperto,
esses ficarão...
No meio do caminho
segunda-feira, 25 de novembro de 2013
- Sim... Mas você tá pensando em fazer o que além do livro, digo, pra ganhar dinheiro? O que você pensa para o seu futuro? Isso é um sonho, tá certo, você tem que correr atrás... Mas e o dinheiro?
- Isso não é um sonho... Na verdade, essa é, justamente, a minha realidade. Você que deve estar sonhando, achando que minha realidade tem que ser igual a sua.
Ouvi várias vezes essa pergunta nesse final de semana... Normal... Eu já tinha ouvido vários outros artistas falarem que ouviram essa mesma coisa....
Previsíveis demais...
Previsíveis demais...
quinta-feira, 21 de novembro de 2013
Quando ele foi escolhido para presidir a Comissão
de Direitos Humanos, foi o maior auê... Artistas e anônimos fizeram uma forte
campanha contra... Teve até vários fotos com 'selinhos' de pessoas do mesmo sexo, como
forma de protesto... Não tem mais... Como sempre, a
poeira baixou, e ele continua lá... E continua fazendo suas barbaridades... Cadê
o povo?? Era só mais um carnaval fora de época?
terça-feira, 19 de novembro de 2013
domingo, 17 de novembro de 2013
sábado, 16 de novembro de 2013
Graciliano Ramos
Nessa
última viagem, semana passada, tive o prazer de visitar a casa (hoje um
museu) que Graciliano Ramos morou por três anos, quando era prefeito da cidade
de Palmeira do Índios, em Alagoas, até ser preso. Não sei o porquê, ou sei
muito bem, mas senti uma paz imensa enquanto estive por lá...
Fico
imaginando essas canetas a deslizarem pelo papel, sua alma sangrando em folhas brancas,
sua angústia a se acalmar, sua insônia a procurar abrigo ou, ao invés disso, era justamente elas que te fazia escrever mais, sem parar... Como será que foi,
naquela mesa, naquela máquina, naquela sala, naquele quintal? Fico a
imaginar... Nessa casa antiga, suas viagens ao tempo, seu olhar ao seu redor,
nada passa despercebido. Na madrugada, no silêncio, o escritor a denunciar as
mazelas e miséria do povo brasileiro e do sertão nordestino... O homem vai, seu
corpo... As palavras ficam, sua alma...
Sobre Graciliano Ramos
Graciliano Ramos de Oliveira nasceu em Quebrangulo,
Alagoas, em 27 de outubro de 1892. Terminando o segundo-grau em Maceió,
mudou-se para o Rio de Janeiro, onde trabalhou como jornalista durante alguns
anos. Em 1915 volta para o Alagoas e casa-se com Maria Augusta de Barros, que
falece em 1920 e o deixa com quatro filhos.
Trabalhando como prefeito de uma pequena cidade interiorana (Palmeira do Índios), foi convencido por Augusto Schmidt a publicar seu primeiro livro, "Caetés" (1933), com o qual ganhou o prêmio Brasil de Literatura. Entre 1930 e 1936 morou em Maceió e seguiu publicando diversos livros enquanto trabalhava como editor, professor e diretor da Instrução Pública do Estado. Foi preso político do governo Getúlio Vagas enquanto se preparava para lançar "Angústia", que conseguiu publicar com a ajuda de seu amigo José Lins do Rego em 1936. Em 1945 filia-se ao Partido Comunista do Brasil e realiza durante os anos seguintes uma viagem à URSS e países europeus junto de sua segunda esposa, o que lhe rende seu livro "Viagem" (1954).
Artista do segundo movimento modernista, Graciliano Ramos denunciou fortemente as mazelas do povo brasileiro, principalmente a situação de miséria do sertão nordestino. Adoece gravemente em 1952 e vem a falecer de câncer do pulmão em 20 de março de 1953 aos 60 anos.
Suas principais obras são: "Caetés" (1933), "São Bernardo" (1934), "Angústia" (1936), "Vidas Secas" (1938), "Infância" (1945), "Insônia" (1947), "Memórias do Cárcere" (1953) e "Viagem" (1954).
Trabalhando como prefeito de uma pequena cidade interiorana (Palmeira do Índios), foi convencido por Augusto Schmidt a publicar seu primeiro livro, "Caetés" (1933), com o qual ganhou o prêmio Brasil de Literatura. Entre 1930 e 1936 morou em Maceió e seguiu publicando diversos livros enquanto trabalhava como editor, professor e diretor da Instrução Pública do Estado. Foi preso político do governo Getúlio Vagas enquanto se preparava para lançar "Angústia", que conseguiu publicar com a ajuda de seu amigo José Lins do Rego em 1936. Em 1945 filia-se ao Partido Comunista do Brasil e realiza durante os anos seguintes uma viagem à URSS e países europeus junto de sua segunda esposa, o que lhe rende seu livro "Viagem" (1954).
Artista do segundo movimento modernista, Graciliano Ramos denunciou fortemente as mazelas do povo brasileiro, principalmente a situação de miséria do sertão nordestino. Adoece gravemente em 1952 e vem a falecer de câncer do pulmão em 20 de março de 1953 aos 60 anos.
Suas principais obras são: "Caetés" (1933), "São Bernardo" (1934), "Angústia" (1936), "Vidas Secas" (1938), "Infância" (1945), "Insônia" (1947), "Memórias do Cárcere" (1953) e "Viagem" (1954).
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Auto-retrato aos 56 anos (*)
Nasceu em 1892, em Quebrangulo, Alagoas.
Casado duas vezes, tem sete filhos.
Altura 1,75.
Sapato n.º 41.
Colarinho n.º 39.
Prefere não andar.
Não gosta de vizinhos.
Detesta rádio, telefone e campainhas.
Tem horror às pessoas que falam alto.
Usa óculos. Meio calvo.
Não tem preferência por nenhuma comida.
Não gosta de frutas nem de doces.
Indiferente à música.
Sua leitura predileta: a Bíblia.
Escreveu "Caetés” com 34 anos de idade.
Não dá preferência a nenhum dos seus livros publicados.
Gosta de beber aguardente.
É ateu. Indiferente à Academia.
Odeia a burguesia. Adora crianças.
Romancistas brasileiros que mais lhe agradam: Manoel Antônio de Almeida, Machado de Assis, Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz.
Gosta de palavrões escritos e falados.
Deseja a morte do capitalismo.
Escreveu seus livros pela manhã.
Fuma cigarros "Selma" (três maços por dia).
É inspetor de ensino, trabalha no “Correio do Manhã”.
Apesar de o acharem pessimista, discorda de tudo.
Só tem cinco ternos de roupa, estragados.
Refaz seus romances várias vezes.
Esteve preso duas vezes.
É-lhe indiferente estar preso ou solto.
Escreve à mão.
Seus maiores amigos: Capitão Lobo, Cubano, José Lins do Rego e José Olympio.
Tem poucas dívidas.
Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas.
Espera morrer com 57 anos.
Casado duas vezes, tem sete filhos.
Altura 1,75.
Sapato n.º 41.
Colarinho n.º 39.
Prefere não andar.
Não gosta de vizinhos.
Detesta rádio, telefone e campainhas.
Tem horror às pessoas que falam alto.
Usa óculos. Meio calvo.
Não tem preferência por nenhuma comida.
Não gosta de frutas nem de doces.
Indiferente à música.
Sua leitura predileta: a Bíblia.
Escreveu "Caetés” com 34 anos de idade.
Não dá preferência a nenhum dos seus livros publicados.
Gosta de beber aguardente.
É ateu. Indiferente à Academia.
Odeia a burguesia. Adora crianças.
Romancistas brasileiros que mais lhe agradam: Manoel Antônio de Almeida, Machado de Assis, Jorge Amado, José Lins do Rego e Rachel de Queiroz.
Gosta de palavrões escritos e falados.
Deseja a morte do capitalismo.
Escreveu seus livros pela manhã.
Fuma cigarros "Selma" (três maços por dia).
É inspetor de ensino, trabalha no “Correio do Manhã”.
Apesar de o acharem pessimista, discorda de tudo.
Só tem cinco ternos de roupa, estragados.
Refaz seus romances várias vezes.
Esteve preso duas vezes.
É-lhe indiferente estar preso ou solto.
Escreve à mão.
Seus maiores amigos: Capitão Lobo, Cubano, José Lins do Rego e José Olympio.
Tem poucas dívidas.
Quando prefeito de uma cidade do interior, soltava os presos para construírem estradas.
Espera morrer com 57 anos.
.
(*) Optamos por obedecer à nova grafia, vigente desde
jan.2012, para o título desta seção, mas preferimos manter a grafia original no
título do texto.
Site oficial: http://graciliano.com.br
quinta-feira, 14 de novembro de 2013
quinta-feira, 7 de novembro de 2013
Ei, você que está me espionando agora, seja nos EUA,
ou qualquer lugar que seja (Não nos iludamos)
Não sou nem um perigo, pelo contrário, sou um ser
pacífico, iludido que o amor ainda vá salvar esse mundo, nem que seja daqui a
cinco mil anos, ou até bem mais que isso, isso, se não destruirmos nosso
planeta antes
E, por ser assim, talvez eu seja, sim, um perigo
para vocês
Sim, fiquem de olho em mim
Estou aqui, entregando-me
Tudo bem, não utilizo bombas (São essas vossas
desculpas)...
Mas palavras podem causar estragos maiores, isso
também vos preocupam, eu bem sei
Que fique claro: não sou otário
Os pensamentos que te dominam,
é o da dominação
Podem me espionar
Tenho peito e alma aberta
Basta que leiam-me por aí,
é só procurar,
é fácil me encontrar,
não tenho mania de cinismos,
nem mania de esconder o que penso
Eu gostaria que as crianças, em vez de trabalharem
ou irem para os sinais, tivessem mais oportunidades de estudarem (Vocês estão
espionando isso?)
Gostaria que os políticos parassem de desviar
valores exorbitantes de dinheiro público, para fins pessoais (Você estão
espionando isso?)
Gostaria que as ruas, que não têm um mínimo sequer
de saneamento básico, fossem vistas e que esse dinheiro desviado, fosse
investido lá, evitando doenças e dando um pouco mais de dignidade às pessoas
que já levam uma vida difícil (Vocês estão espionando isso?)
Sim, eu sei, vivemos em tempos de democracia, mas uma
democracia mascarada, desde que não toquem no calo de vocês, caso contrário, jogarão
em nós as suas bombas (essas podem), ainda que sejam de gás lacrimogêneo
Podem me espionar, seus cínicos, não há problema
O que eu vejo, não procuro escondido de ninguém,
nem de forma ilegal...
Aliás, nem preciso procurar, tá tudo escancarado em
minha frente
Assumam o que fazes, em vez de tentarem encontrar
desculpas esfarrapadas, a todo instante
Façam isso, e só assim,
eu poderia começar a acreditar em vocês...
O que está muito distante...
Sei qual é o dom de vocês:
Dom-minar
Minas enterradas, invisíveis, no ar
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